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Controle da doença periodontal e diabetes é fundamental

01/04/2014 19:38

Diabetes e doença periodontal (atinge a gengiva e o osso) mantêm uma forte ligação. O diabetes descontrolado aumenta o risco da doença periodontal e esta, por sua vez, pode alterar o metabolismo da glicose, e consequentemente, dificultar o controle do diabetes. Este aspecto foi ressaltado pela odontóloga do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) Lívia Lopes.

Por isso, segundo a odontóloga, é muito importante ensinar o paciente a reconhecer os sinais e sintomas da doença periodontal para o adequado tratamento e prevenção de complicações futuras. Lívia Lopes fez na manhã de hoje uma exposição sobre Diabetes X Doença Periodontal na sessão de atualização em diabetes, iniciativa do Cedeba por meio da Coordenação de Apoio à Rede (Codar) para trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) que cuidam de pacientes diabéticos na rede de atenção básica.

Segundo Lívia Lopes a doença periodontal está presente em 75% dos pacientes diabéticos. Ela enfocou a experiência do Cedeba na assistência odontológica aos seus pacientes, que procura motivá-los sobre a importância da higiene oral, excelente aliada no controle da glicemia e melhoria da qualidade de vida dos diabéticos. Além das ações de prevenção, o setor de odontologia do Cedeba faz atendimento ambulatorial, como raspagens e alisamentos radiculares.

As sessões de atualização em diabetes, direcionadas para os trabalhadores do SUS, incluem também os estudantes de ensino superior, tendo por objetivo a atualização quanto ao manejo clínico em diabetes e práticas educativas voltada ao auto cuidado. O Cedeba já produziu duas cartilhas sobre os cuidados com os dentes para os diabéticos, disponíveis no site: www.saude.ba.gov.br/cedeba.

Evolução

Tudo começa com a placa bacteriana, também chamada de placa dental, formada por agregados bacterianos sobre os dentes ou outras estruturas duras da boca. No início, podem aparecer sangramento na gengiva, gengiva avermelhada e inchada e a presença de placa e tártaro.

A gengivite, se não for cuidada, evolui para a periodontite, provocando afastamento da gengiva entre os dentes, exposição da raiz dos dentes, abscesso, amolecimento dos dentes, mau hálito e sensibilidade ao frio ou ao quente.

É preciso manter o controle da glicemia (taxa de açúcar no sangue) e consultar o dentista a cada seis meses. Na presença de qualquer alteração, procurar imediatamente a equipe de saúde.

A sessão contou também com a participação da coordenadora da Saúde Bucal, da Secretaria da Saúde do Município, Ticiane Mendonça, que explicou a estrutura do atendimento odontológico no município. No caso da alta complexidade em Odontologia para pacientes diabéticos – caso de taxas de glicemia bastante elevadas – o atendimento é feito no Hospital Roberto Santos.

Mucopolissacaridoses

A geneticista Helena Pimentel, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, enfocou o tema “Mucopolissacaridoses”, grupo de doença genética rara com vários subtipos, também conhecida como MPS.

Ela mostrou a importância de o odontólogo estar atento a sinais que estão presentes na MPS: atraso na erupção de dentes, má oclusão, hipertrofia da gengiva e aumento da língua.

Segundo a geneticista, o diagnóstico precoce da MPS é muito importante, porque para alguns tipos há tratamento que consiste na terapia da reposição enzimática, que supre a deficiência de produção pelo organismo.

Trata-se, segundo explicou Helena Pimentel, de manifestação sistêmica, que produz alterações morfológicas, notadamente no tecido conjuntivo. O bebê – explicou – nasce com aparência normal, mas os sintomas morfológicos vêm depois: a face grosseira infiltrada, a baixa estatura, a hipertrofia gengival, opacificação da córnea que pode levar à perda da visão.

O tratamento precoce, segundo a geneticista, possibilita deter o avanço da MPS que é progressiva e incapacitante com reflexos no sistema respiratório e circulatório, além de provocar graves alterações ósseas.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/periodontal

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