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Prevenção do pé diabético é muito importante para a redução de amputações

06/05/2014 19:29

Ações de prevenção, por meio da educação dos pacientes e treinamento dos profissionais de saúde, e atenção para as úlceras, com o monitoramento do pé diabético podem reduzir a taxa de amputação de membros inferiores entre 49 a 85%. A conclusão é do Consenso Internacional do Pé Diabético e foi apresentada hoje, pelo angiologista e cirurgião vascular, coordenador do ambulatório do Pé Diabético, do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia – Cedeba, Cícero Fidelis, ao enfocar e discutir o tema “Os Cuidados na Prevenção e Tratamento do Pé Diabético”.

E foi exatamente com o objetivo de reforçar o treinamento, que o Cedeba, por meio da Coordenação de Educação e Apoio à Rede (Codar) ofereceu às equipes de atenção básica que cuidam dos pacientes com diabetes a apresentação do tema “Pé Diabético”, na sessão de atualização em diabetes, como acontece sempre na primeira terça-feira do mês. A sessão, hoje pela manha, no auditório do Centro de Atenção à Saúde Professor José Maria de Magalhães Netto, foi a mais concorrida deste ano.

No auditório lotado estavam profissionais do SUS – da capital e do interior- e estudantes da área de saúde, bastante participativos. O angiologista fez uma apresentação muito didática e participativa.

Ele mostrou que a prevenção do pé diabético pode ser feita pelos profissionais de atenção básica, que devem estar preparados para identificar os fatores de risco, além de atuar na educação do paciente quanto a cuidados importantes com os pés, que vão desde o corte da unha até o tipo de calçado adequado.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 50% dos pacientes submetidos à amputação não traumática de membros inferiores são diabéticos, o que acarreta prejuízos para o paciente em razão da redução da qualidade de vida. De acordo com o angiologista, essas amputações, de modo geral, são decorrentes de alterações neurológicas e isquêmicas, agravadas muitas vezes por infecção. Essas três condições clínicas formam a base etiopatogênica do pé diabético e se apresentam em diferentes estágios de evolução.

Oitenta e quatro por cento das amputações em diabéticos são precedidas por úlcera no pé. A úlcera pode estar presente em 5 a 10% dos portadores de diabetes.- apenas 10% das úlceras são puramente por problemas vasculares. Porém, 70 a 100% das lesões no pé apresentam sinais evidentes de neuropatia; 80 a 90% das úlceras s são precipitadas por traumas, com um detalhe relevante: em geral, são provocadas por uso de calçados/sapatos inadequados. Independente da origem, a úlcera será sempre considerada uma porta de entrada para infecção e portanto, risco para amputação.

Exame dos pés

O exame do pé do diabético é muito importante – explicou o angiologista. Além de avaliar alterações externas importantes como calosidades, rachaduras, micoses, ulcerações, é preciso também verificar sensibilidade e a pulsação dos pés. Como a diminuição da sensibilidade aumenta o risco dos traumas, o paciente diabético deve andar sempre calçado. O especialista relatou o caso de um paciente que teve queimadura nos pés ao andar na praia descalço e não sentir o calor. É muito comum – observou – o paciente diabético dizer que não está sentindo nada nos pés.

De acordo com a coordenadora da Codar do Cedeba, Graça Velanes, o paciente diabético precisa ter cuidados com os pés, ao cortar as unhas, hidratar os pés e escolher meias e calçados. Esses e outros cuidados integram o impresso ” O Pé do Diabético” produzido pelo Cedeba e que é reproduzido pelos municípios para o trabalho de educação dos pacientes.

A cartilha, com texto simples e rica em ilustrações, começa ensinando a necessidade de o diabético examinar os pés todos os dias para verificar a presença de bolhas, calos, rachaduras ou pele seca. A hidratação é muito importante, segundo explicou Graça Velanes. Deve ser feita à noite, e preferencialmente com creme, vaselina ou glicerina, mas não se deve passar entre os dedos.

A escolha da meia também é muito importante: deve ser em algodão, sem costuras e sem elástico e deve ser trocada todos os dias. O paciente diabético deve usar sapatos confortáveis, evitando os de plásticos e de tira entre os dedos ou peças de metais em contato com a pele.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/pé1