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Políticas de saúde e o cuidado com portador de transtorno mental é tema de debates no HGRS

08/05/2014 19:31

Apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a terceira causa de longos afastamentos do trabalho, o transtorno mental ainda é visto por muitos profissionais de saúde como algo segmentado, restrito às unidades especializadas nesse tipo de cuidado. Mas o portador de transtorno mental e/ou usuário de substâncias psicoativas sofre outros tipos de adoecimento e recorre aos hospitais gerais, onde será acolhido e atendido por profissionais das mais diversas categorias, que nem sempre sabem como abordá-lo.

O despreparo para lidar com esse tipo de paciente motivou o Serviço de Psicologia do Hospital Geral Roberto Santos a promover o seminário “O paciente com transtorno mental no hospital geral”, iniciado hoje (8) e que prossegue amanhã, dia 9, pela manhã e à tarde. Profissionais de várias áreas do HGRS e de outros hospitais e unidades de atendimento especializado lotaram o Auditório central onde, nesta sexta-feira, segundo e último dia do evento, o renomado psiquiatra da Unicamp, Neury Botega, profere conferência às 8h30, mediada pelo chefe de Gabinete da Sesab e ex-diretor do HGRS, Paulo Barbosa.

A conferência inicial, “Políticas públicas em saúde mental no contexto do hospital geral” foi conduzida pela diretora de Gestão do Cuidado da Sesab, Liliane Mascarenhas Silveira, que apresentou a legislação e as ações do SUS (Sistema Único de Saúde) referentes à assistência em saúde mental. “Na Bahia, são 28 regiões de saúde distribuídas em nove macrorregiões, e essa temática, da atenção psicossocial, tem que estar nas 28 regiões de saúde. Precisamos garantir a integralidade do cuidado ao portador de transtorno mental nas redes de atenção, na assistência ambulatorial especializada e de emergência”, afirmou.

Escuta qualificada

Mediadora da conferência, a diretora Geral do HGRS, Delvone Almeida, destacou a importância da atenção e da escuta qualificadas no trato com o paciente portador de transtorno mental. “Ele exige um olhar mais cuidadoso e abrangente, que extrapola a assistência convencional e envolve aspectos psicológicos, de relação social e familiar, no seu processo de adoecimento. Estamos implantando algumas novas ferramentas no cuidado, como a gestão da clínica, e esperamos que o grande interesse por essas questões, demonstrado hoje, se traduza no melhor atendimento a esse paciente não só no HGRS, mas nos outros hospitais”.

“O paciente de transtorno mental precisa ter um olhar diferenciado e multiprofissional. Que venham outros eventos assim, para abrir a cabeça e o coração da gente”, referendou a diretora técnica Materno-Infantil do HGRS, Alcione Bastos, observando que todas as pessoas são suscetíveis a sofrer um transtorno mental. A diretora de Enfermagem, Aldacy Ribeiro, destacou a coragem dos profissionais que promoveram o evento por trazerem à discussão um assunto que não é restrito à Psicologia, lembrando que enfermeiros, técnicos e assistentes de enfermagem estão envolvidos no atendimento direto a esses pacientes.

A coordenadora do Serviço de Psicologia do HGRS, Alice Leal, ressaltou que o portador de transtorno mental é vítima de exclusão, afastado do convívio social, e isso se reflete na postura de muitos profissionais dos hospitais gerais que, diante dele, se vêem com dificuldades. “É como se esse paciente fosse um enigma e não dissesse respeito a eles. Por isso, trazer esse tema para ser debatido era um anseio das equipes, e convidamos pessoas que estão mergulhadas nessa questão para debater conosco”, afirmou, propondo que o evento dê origem a um fórum permanente para oferecer assistência de qualidade baseada na integralidade do cuidado.

Nos dois dias, o encerramento será com música: hoje, com a regente Núbia Cruz, do HGRS, no Momento Musical Participativo; amanhã, dia 9, com o Bando Flores da Massa Oficina de Música do Hospital Juliano Moreira.

B.F. DRT/BA 1158
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