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Ciave realiza V Congresso Brasileiro de Toxicologia Clínica no seu 34º aniversário

27/08/2014 14:37

O Centro Antiveneno da Bahia (Ciave) completa esse mês 34 anos de funcionamento. Criado no dia 30 de agosto de 1980, a unidade da Secretaria da Saúde do Estado é centro de referência em toxicologia, e presta assistência a pacientes e orientação toxicológica especializada aos profissionais de saúde em plantões ininterruptos.

Como atividade comemorativa do aniversário, o Ciave realizará em Salvador, de 10 a 12 de setembro próximo, no Fiesta Bahia Hotel, o V Congresso Brasileiro de Toxicologia Clínica, 2º Simpósio Brasileiro de Toxicologia Analítica e o I Fórum Brasileiro e III Fórum Baiano Sobre Suicídio.

O evento é promovido pela Associação Brasileira dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos – Abracit, que tem atualmente como presidente o diretor do Ciave, Daniel Rebouças, e terá como tema “As intoxicações no âmbito da atenção à saúde”.

O CIAVE

Segundo serviço de toxicologia do país a entrar em funcionamento, o Ciave é responsável pelo fornecimento de informações toxicológicas para a Bahia e outros estados do Nordeste; diagnóstico e terapêutica de pacientes intoxicados; realização de análises toxicológicas de urgência; identificação de animais peçonhentos e plantas venenosas; controle e manutenção de bancos de antídotos. No ano passado, o Ciave registrou 7.386 casos de exposição/intoxicação. Esse ano, até o momento, foram 4.533 registros, o que indica uma redução em relação aos últimos anos. Dentre os agentes tóxicos mais frequentes, temos os medicamentos (23%), as serpentes (13%), os escorpiões (12%) e os raticidas (10%).

O serviço conta ainda com o Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio (NEPS), criado em 2007, que além do acompanhamento psicológico, disponibiliza atendimento psiquiátrico ambulatorial, terapia ocupacional e reuniões informativas para familiares de pacientes que tentaram suicídio. No ano passado, marcando os 33 anos do Ciave, o NEPS teve sua área ampliada, passando de duas para três salas de atendimento e ganhando uma sala de espera mais ampla, garantindo mais conforto para os usuários e melhores condições de atendimento.

A coordenadora do Núcleo, Soraya Rigo, conta que o serviço é voltado ao atendimento de pacientes com depressão grave e risco de suicídio. “Atualmente, somos referência na Bahia e também estamos exportando o modelo para outros centros no Brasil”, revela a psicóloga .

Destaque também, no Ciave, para o jardim de plantas venenosas, fundamental para identificar as espécies de plantas que causam envenenamento ou algum tipo de intoxicação, garantindo o tratamento adequado às vítimas.

No ano passado, através de uma parceria com a Sucab (Superintendência de Construções Administrativas da Bahia), foi realizada uma pesquisa para identificar as espécies de plantas que podem causar envenenamento mais comuns no Nordeste e em ambientes domésticos, entre elas a espirradeira, pinhão roxo, mandioca brava, chapéu de napoleão, mamona, cocó ou taioba brava, comigo ninguém pode e graveto do cão.

Embora menos frequente se comparado à incidência de acidentes por animais peçonhentos, por exemplo, o envenenamento por plantas tóxicas levar à morte, caso não haja socorro em tempo hábil e não seja feito o procedimento adequado

O CONGRESSO

O V Congresso Brasileiro de Toxicologia Clínica, segundo o diretor do Ciave e da Abracit, “será uma oportunidade para a apresentação e discussão dos diversos temas relacionados à toxicologia e à clínica do suicídio no Brasil, além de permitir a reflexão e a formulação de propostas para o fortalecimento das políticas públicas referentes à toxicologia e ao funcionamento dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica – Ciatox”.

O evento terá a participação de representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de diversas instituições de ensino superior, convidados internacionais e profissionais e estudantes das diversas áreas do conhecimento, de todas as regiões do país, principalmente aqueles que atuam nos 32 Centros associados à Abracit.

Entre os convidados internacionais estão a Marylin Huestis, do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA) dos Estados Unidos; Lewis Nelson, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, médico da NYU Langone Medical Center e Bellevue Hospital Center, além de diretor do Centro de Controle de Intoxicações de Nova York; Alvin C. Bronstein, diretor médico do Rocky Mountain Poison Center, professor associado da Universidade do Colorado e membro da American Association of Poison Control Centers (AAPCC); Bruno Megarbane, professor da Paris-Diderot University e médico do Hospital Lariboisière (França), José María Gutiérrez, professor da Universidade da Costa Rica.

Para Jucelino Nery, do Ciave, o congresso permitirá a reflexão e a formulação de propostas para o desenvolvimento e fortalecimento das políticas publicas referentes à toxicologia, ao funcionamento dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica e ao Sistema Único de Saúde (SUS), com ênfase naquelas que visam a atenção integral à saúde das populações expostas aos mais diversos riscos tóxicos.

A.G. Mtb 696/Ba
Ciave/aniversário