Notícias /

Escuta do paciente e interação da equipe podem evitar erro médico

04/09/2014 20:01

É difícil ou até impossível corrigir o erro médico, mas é possível, desejável e relativamente fácil preveni-lo. Tudo depende de uma série de fatores, que passa pelo preparo e qualificação técnica dos profissionais, pelas condições em que eles atuam, pela observação dos protocolos clínicos existentes, pela interação entre a equipe assistencial e pela escuta dos pacientes e de seus acompanhantes. Prevenir e evitar o erro médico foi eixo do Fórum de Debates da Fundação José Silveira (FJS), ocorrida hoje (4), no Hospital Geral Roberto Santos.

O evento, realizado em parceria com o Cremeb – Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia, mobilizou dezenas de profissionais da área de saúde, além de estudantes e médicos residentes. “Nossa intenção foi conhecer melhor os nossos profissionais, interagir com a Unidade onde eles estão atuando. Outros eventos virão”, disse o assessor médico da Fundação José Silveira, Álvaro Nonato de Souza. “A ideia de debater sobre segurança do paciente surgiu em uma reunião com os diretores do Hospital, Delvone Almeida e Miguel Mota”, acrescentou.

“A segurança do paciente é um tema muito envolvente e importante, uma questão mundial, e nós já demos os primeiros passos nesse processo: no ano passado, foi publicada Portaria e estabelecido o Núcleo de Segurança do Paciente do Hospital Geral Roberto Santos. É uma questão relativa não só ao paciente, mas aos profissionais”, afirmou Delvone Almeida, diretora Geral do HGRS. O diretor médico, Miguel Mota, destacou a relevância do tema em uma Unidade como o HGRS, “um hospital de portas abertas, com demanda de 800 a 1 mil pacientes/dia, muitos deles críticos e que não são aceitos em outros lugares”.

Erros, acertos e comunicação

A diretora de Ensino e Pesquisa, Miralba Silva, e a coordenadora do Núcleo de Segurança do Paciente do HGRS, Maria do Espírito Santo, também participaram do Fórum de Debates, que teve como tema central “Erro médico no ambiente hospitalar” e foi protagonizado, além de Álvaro Souza, pela vice-presidente do Cremeb, Teresa Cristina Maltez; pela diretora do Hospital do Subúrbio, Lícia Cavalcanti; pela assessora de Práticas Médicas do Hospital São Rafael, Camila Barcia; e pelo coordenador de Obstetrícia do Hospital Jorge Valente, Leonardo Rezende.

Os debates se deram em torno da situação exposta em um vídeo da Organização da Saúde, o erro ocorrido na assistência a uma paciente. “Dele, podemos tirar lições com foco em quatro pontos fundamentais para prevenir o que não é mais o `erro médico´, mas de toda a equipe assistencial: o treinamento adequado dos profissionais, a integração e comunicação entre a equipe, a relação da equipe com o paciente e os acompanhantes dele, e as condições de trabalho em que a equipe atua”, pontuou Álvaro Souza.

“A autonomia do médico, hoje, não é mais ilimitada. Ele não pode confiar só naquilo que aprendeu e deve ouvir o que o colega tem a dizer. O médico, sozinho, não cuida”, opinou Lícia Cavalcanti. Teresa Maltez comentou as condições materiais e imateriais de trabalho, observando que, mesmo em condições adversas como hospitais superlotados, o profissional pode contribuir com a equipe para melhorar a assistência ao paciente. Álvaro Souza ressaltou que erro e acerto não depende só do profissional médico, mas de toda a equipe assistencial. “Se qualquer das partes falhar, o erro acontece”.

Camila Barcia e Leonardo Rezende destacaram a comunicação com o paciente e seus familiares ou acompanhantes como fundamental. “Os eventos às vezes ganham dimensão maior do que deveriam ter porque se negligencia a troca de informações com o paciente e o acompanhante ou se faz uma comunicação formal e sem envolvimento, de forma que o paciente não se sente acolhido e atendido”, disse Leonardo. “É preciso dedicar tempo, mesmo na pressa dos dias de hoje, para explicar, esclarecer, atender o paciente com mais vagar. Isso minimiza os atritos e as chances de errar”, finalizou.

B.F. / DRT/Ba 1158
/hgrs/erro médico3

Notícias relacionadas