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Bahia registrou 12% de aumento na doação de órgãos em 2014

14/01/2015 14:00

Com um total de 109 doações de múltiplos órgãos durante o ano passado, a Bahia registrou um aumento de 12% em relação ao número de doações no ano anterior (2013). O médico Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, destaca que os investimentos que estão sendo feitos no programa de transplantes da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) apresentam resultados positivos, mas ainda existem inúmeros obstáculos a serem vencidos, entre eles o desconhecimento do processo doação/transplante por parte da população, e até de alguns profissionais de saúde.

O médico destaca o registro, nesse mês de janeiro, da primeira doação de órgãos em Ribeira do Pombal, dentro do processo de interiorização das atividades de doação/transplante de órgãos, e os avanços previstos para esse ano, cita o início da atividade de transplante renal em Feira de Santana, que deve acontecer até o próximo mês de fevereiro; a realização de transplante cardíaco e pulmonar no Hospital Ana Nery, que já foi credenciado pelo Ministério da Saúde para esses procedimentos, e o credenciamento da Santa Casa de Misericórdia de Vitória da Conquista para realizar transplante renal.

Ainda segundo Eraldo Moura, como forma de ampliar o número de doação de órgãos, a Sesab está realizando o 1º Curso de Especialização em Doação e Transplante de Órgãos do Norte/Nordeste, capacitando 35 profissionais dos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, e no próximo mês de fevereiro, terá início uma capacitação de agentes comunitários de saúde e profissionais da Estratégia de Saúde da Família para o processo doação/transplante de órgãos.

Transplantes

As doações de órgãos registradas no ano passado possibilitaram a realização de 563 transplantes, sendo 332 de córnea, 52 de fígado, 63 de rim, 48 de medula óssea, 46 de esclera e 22 transplantes ósseos. Foram também realizados dois transplantes de pele, com material disponibilizado pelos Bancos de Pele do Paraná e de Porto Alegre, e 19 transplantes de rim com doador vivo. Atualmente existem 2.125 pessoas em fila de espera por um transplante – 1.100 de córnea, 925 de rim, 67 de fígado e 33 de medula.

Para Eraldo Moura, a estruturação dos Grupos de Apoio à Doação (GADs) e o credenciamento das Organizações de Procura de Córneas (OPCs) foram medidas que resultaram em impacto positivo na doação e transplante de órgãos.

O estado possui, atuando na busca ativa de potenciais doadores, sete Grupos de Apoio à Doação, distribuídos em Salvador e nos municípios de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e Teixeira de Freitas, além de 30 Comissões Intra Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).

Embora o número de doações e transplante de órgãos venha aumentando a cada ano, o índice de negativa das famílias de potenciais doadores ainda é um entrave para reduzir a fila de pessoas à espera de um órgão para transplante. “Para se ter uma idéia”, pontua o médico, “em 2014 foram feitas 455 notificações de morte encefálica e dessas, somente 109 doações foram efetivadas”.

Para ampliar o número de doações e, consequentemente de transplantes de órgãos, o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes disse que entre outras ações, “devemos manter a parceria já existente com o Conselho Regional de Medicina (Cremeb) para a promoção de cursos de capacitação para o diagnóstico de morte encefálica – com previsão de dois cursos para esse ano -, e a parceria com a Sociedade de Terapia Intensiva da Bahia para a capacitação de profissionais intensivistas, para identificação de pacientes com indicação de transplante e de potenciais doadores”.

A.G. Mtb 696/Ba
Central de Transplante/balanço

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