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Mudança no estilo de vida pode reduzir a medicalização no tratamento do diabetes

25/02/2015 17:21

A prevenção da saúde, a partir da mudança de estilo de vida (alimentação saudável e prática de atividade física) são essenciais para o controle do diabetes. Quando o diagnóstico é feito precocemente, ou na fase chamada pré – diabetes há a possibilidade de redução da medicalização.

A observação é da economista Jane Guimarães, doutora em Saúde Pública e pesquisadora do Instituto de Saúde Cletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Programa de Economia, Tecnologia e Inovação em Saúde (PECS/ISC/UFBA). Ela abre, no dia 3 março, a programação das sessões de atualização em diabetes de 2015, a partir das 9 horas, no Centro de Atenção à Saúde (CAS) Professor José Maria de Magalhães Netto.

Iniciativa do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), por meio da coordenação de Educação e Apoio à Rede (Codar), a sessão enfocará o tema “Paradigmas e Trajetórias Tecnológicas para o Cuidado com o Diabetes”.

Paradigmas

A participação no Projeto de Capacitação e Aperfeiçoamento em Diabetes (PROCED), com a presença de representantes de outros estados do Brasil, e da Guiné-Bisssau, oportunizou se constatarem os problemas enfrentados pelos pacientes diabéticos no que se refere ao acesso à distribuição gratuita de medicamentos, e aos insumos necessários à aplicação e à monitoração da glicemia capilar, imprescindíveis para o controle do diabetes. Os pacientes recebiam os diversos insumos, mas a lei não citava de forma direta o glicosímetro, necessário à medição da glicemia capilar. Foi preciso mudar a legislação.

A pesquisa da economista Jane Guimarães avaliou os critérios de distribuição dos dois mil glicosímetros para os seis mil pacientes inscritos em Salvador. A pesquisa foi buscar idade, sexo, tipo de diabetes entre outros fatores.

A ideia do tema da pesquisa surgiu antes mesmo do início do doutorado o Instituto de Saúde Coletiva, em maio de 2008. O que motivou a escolha desta temática foi a experiência “que adquiri, durante consultoria prestada na Escola Estadual de Saúde Pública (EESP), para colaborar com a equipe técnica responsável pela incorporação do processo de educação a distância nos processos formativos dos profissionais do SUS”, explica Jane Guimarães.

A aproximação do grupo de pesquisa do Programa de Economia, Tecnologia e Inovação em Saúde (PECS/ISC/UFBA) – explica a pesquisadora – foi determinante para o início dos estudos sobre Paradigmas e Trajetórias Tecnológicas, o que possibilitou, por um lado, compreender a importância das ferramentas da economia na gestão da saúde, e por outro, refletir na complexidade da utilização desses conceitos na saúde.

A tese de doutorado resultou de uma pesquisa desenvolvida no PECS, com o apoio do Instituto Nacional de Inovação e Tecnologia em Saúde (CITECS), visando utilizar o conceito de paradigmas e trajetórias tecnológicas no estudo do processo de inovação em saúde.

A pesquisa foi aprovada em agosto de 2012, pelo Comitê de Ética do Instituto de Saúde Coletiva, através do Parecer n. 048-12/CEP-ISC, sendo autorizado pela Secretaria Municipal de Saúde do Município de Salvador o acesso ao banco de dados do Centro de Saúde Carlos Gomes, controlado pelo setor de dispensação de insumos para controle do diabetes, e ao Sistema de Controle de Farmácia (SISFARMA), que contempla informações acerca da dispensação de medicamentos.

Para a realização a pesquisa, foram utilizados os conceitos de paradigmas e trajetórias tecnológicas, inovação, demanda, necessidade e acesso, dentre outros, e os aportes teóricos da teoria evolucionária para a análise dos dados produzidos, visando possibilitar a compreensão da atual conjuntura econômica do Brasil, na qual a inovação tecnológica exerce papel importante na dinâmica do crescimento econômico, principalmente pela grande pressão que o Estado sofre para incorporar inovações no sistema de saúde, e também pela dinâmica do mercado farmacêutico no Brasil.

Enfim destaca a economista – a pesquisa “deu-se no meio de certezas e incertezas, na busca persistente de contribuir na elaboração de políticas públicas de saúde, que visem melhorar a prevenção, o cuidado, e também ampliar o acesso aos medicamentos e insumos, imprescindíveis aos pacientes diabéticos”.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/sessão1