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Proced supera expectativas de representantes da Fundação Mundial de Diabetes (WDF) e da OPAS

21/05/2015 14:17

O Ministério da Saúde (MS) lançará no segundo semestre o Manual de Cuidados do Pé Diabético, dentro do trabalho voltado para o autocuidado. E para a elaboração do material, buscará o apoio do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB) que “tem um material didático muito interessante”, segundo avaliou a representante do MS, Patricia Chueri, na Mesa Redonda que encerrou, na tarde de ontem, a avaliação final do Projeto de Qualificação do Cuidado e Mobilização Comunitária em Diabetes (Proced).

A avaliação positiva do Proced, que nos dois últimos módulos – que finaliza a primeira fase da experiência iniciada em 2008 – trabalhou em 11 municípios (nove da região de Paulo Afonso, no sertão da Bahia) em Cicero Dantas e em Dias DÁvila, credencia o Cedeba para a continuação da experiência por mais três anos, beneficiando a população de Salvador e Região Metropolitana. No encerramento dos trabalhos, o coordenador da Fundação Mundial de Diabetes (WDF), Bent Lautrup-Nielsen, disse que os resultados do Proced “superaram minha expectativa. Os resultados são muito claros e poderão ter impactos para outros estados e em outros países”.

Atendimento Multiprofissional

O representante da WDF – a entidade atua em 130 países de baixa e média renda- destacou o atendimento multiprofissional como o caminho para o controle das doenças crônicas, onde se inclui o diabetes, que tem uma projeção para 2030, de 500 milhões de pessoas no mundo. A meta da Organização Mundial de Saúde para o período 2014-2030 não é muito ambicioso, já que pretende manter os níveis atuais da doença.

Para o consultor nacional de Doenças Crônicas e Não Transmissíveis da Organização Panamericana de Saúde – OPAS, Lenildo de Moura, a preocupação com as doenças crônica, onde se insere o diabetes, se justifica porque esse grupo tem impacto na mortalidade e na morbidade.

O Brasil, como explica o consultor da OPAS, vive uma transição demográfica com declínio da taxa de natalidade e aumento da sobrevida, e o envelhecimento da população aumenta a incidência das doenças crônicas não transmissíveis. O Brasil convive ainda com a transição nutricional, aumento do sobrepeso da população, sedentarismo e alimentação não saudável.

A educação do paciente diabético, segundo Lenildo Moura, é muito importante para reduzir os internamentos e as mortes. Enquanto as mortes por doenças respiratórias e cardiovasculares vêm diminuindo no Brasil – a meta de redução de 2,7 % ao ano vem sendo alcançada – no caso do diabetes isso não é observado.

É preciso trabalhar -analisou – para reduzir a mortalidade precoce por doenças crônicas (entre 30 e 69 anos), já que a expectativa de vida do Brasil é de 74 anos. Em relação ao diabetes, é muito importante a detecção precoce e o trabalho de educação do paciente porque se trata de doença de longa duração e custo muito alto, em função das comorbidades. Lenildo Moura disse que a experiência do Proced, atuando na Atenção Básica é muito interessante porque trabalha em três eixos que garantem a equidade: Promoção, Vigilância e Atenção à Saúde. “Os resultados são muitos bons”.

Ele defendeu a necessidade de um trabalho “de prevenção e educação da população, voltado para as doenças crônicas, para que possa conduzir ao envelhecimento saudável.” Esse o grande desafio do Brasil, pontuou.

Lenildo Moura, mestre e doutor em Epidemiologia, além de ter especialização em Doença Renal Crônica em Pacientes Terminais, pelo programa Hubert H. Humphrey, realizado na Emory University, em Atlanta (Estados Unidos), defende a educação do paciente diabético como a saída para o controle do diabetes. “Quando você empodera o paciente, ele passa a conviver melhor com a doença, adere ao tratamento e muda o estilo de vida”.

Confiança

O reconhecimento positivo à experiência do Cedeba com o Proced, deixou a diretora do Cedeba, Reine Chaves Fonseca, cujo trabalho na unidade sempre teve como foco a atenção multidisciplinar e a educação, com muita esperança diante da expectativa da ampliação do Proced para 120 unidades sentinelas de Salvador e Região Metropolitana(RMS). Disse esperar também continuar dando suporte e apoio aos 11 municípios que viveram a experiência exitosa do Proced, que tem financiamento da WDF e OPAS.

“Vamos tentar melhorar ainda mais o trabalho de detecção precoce do diabetes para que a gestão da saúde na Bahia seja referência no tratamento, com o fortalecimento da atenção básica”, pontuou Reine Chaves Fonseca.

Resultados

Ampliação em seis vezes no número de solicitações de hemoglobina glicada (indicador de controle do diabetes) e em cinco vezes a detecção de pé diabético nos pacientes assistidos estão entre os efeitos positivos do Proced. Outro resultado foi o aumento em 20% da detecção de número de casos de diabetes no município de Paulo Afonso, uma das cidades em que o projeto foi implantado. “Isso significa que conseguimos detectar precocemente a doença numa população que poderia não ter sido diagnosticada, evitando complicações”, explica a diretora do Cedeba, Reine Chaves.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/encerra

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