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Tratamento de feridas do pé diabético deve ter um olhar especial da equipe multidisciplinar

02/06/2015 18:21

A prevenção do pé diabético – deve ser feita pela atenção básica – é muito importante para evitar as úlceras que, se não tratadas, podem levar à amputação. E o tratamento das feridas é muito complicado, exigindo além dos curativos, a participação de toda a equipe multidisciplinar. Isso foi o que destacou a enfermeira Tamires Albernaz, do Centro de Atenção ao Diabético e Hipertenso (CADH), unidade de média complexidade de Feira de Santana, segundo município mais populoso da Bahia, que vem conseguindo resultados positivos no tratamento das lesões, reduzindo o tempo do tratamento e as amputações.

Tamires Albernaz e a enfermeira Áurea Angela Amorim, pós-graduada em enfermagem dermatológica, também do CADH, fizeram exposição na sessão de atualização em diabetes, que o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Coordenação de Educação e Apoio à Rede (Codar), realizou hoje, dentro do cronograma de sessões, sempre na primeira terça-feira do mês.

Medo de rejeição

Segundo Tamires Albernaz, os pacientes diabéticos que apresentam úlceras nos membros inferiores precisam ser olhados além do ferimentos, já que o problema traz impactos emocionais, principalmente por causa da rejeição social e, em alguns casos, familiar. Há relatos de pacientes que perdem o emprego, que perdem o (a) companheiro(a). Por isso, de acordo com as enfermeiras, os pacientes manifestam grande ansiedade pelo fechamento rápido da ferida.

Com base nessa realidade, as representantes do CADH enfatizaram a necessidade de a equipe que cuida do diabético ter um olhar diferenciado para cada paciente. “O tratamento das feridas exige técnica, mas é preciso também confortar o paciente para reduzir a ansiedade e facilitar o fechamento da ferida,” pontuaram.

Com muita didática, a enfermeira especializada Áurea Angela Amorim apresentou os materiais utilizados no CADH. “Usamos materiais especiais que possibilitam redução significativa no tempo do tratamento – de dois anos para dois meses. Ela mostrou o uso de cada produto nos diversos tipos de ferimentos, orientando os profissionais do SUS sobre os cuidados nos curativos, nos quais nunca deve ser aplicada quantidade excessiva de pomadas, para evitar a maceração de bordas dos ferimentos.

A coordenadora da Codar, do Cedeba, Graça Velanes, destacou que para o sucesso no tratamento das úlceras, o paciente diabético precisa manter o controle glicêmico e metabólico, destacando a importância do controle da hemoglobina glicada, exame que registra a média do nível glicêmico dos últimos três meses.

Palmilhas e órteses

A sessão contou ainda com a exposição do ortoprotesista do Cepred, (unidade da Sesab), Luis Antônio de Oliveira Lima, sobre “Tratamento de úlcera plantar no pé diabético”. Ele explicou que é muito importante diminuir a carga da pressão plantar com o uso de calçados especiais. A neuropatia diabética – explicou – que no diabético provoca a redução tátil, representa um grande risco para as úlceras porque o paciente não sente ferimentos e queimaduras.

É muito importante, segundo o ortopotresista, ter cuidados com os pés: hidratar, usar calçados fechados sem costuras internas e largos na parte da frente. Quando o pé diabético evolui para a amputação, o paciente é atendido no Cepred, onde ele recebe órtese e é trabalhado pela reabilitação .Mas, como observou Graça Velanes, é necessário promover ações de intervenção nos pacientes com complicações já instaladas em função do pé diabético, para evitar as amputações que reduzem a qualidade de vida.

Desde a fundação do Cedeba, o pé diabético vem merecendo grande atenção com ações educativas voltadas para o paciente, com a qualificação do pessoal da Atenção Básica, produção de material didático (cartazes, folders, cartilha). “Essa é uma luta em prol da melhor qualidade de vida para as pessoas com diabetes”, pontuam Graça Velanes e Júlia Coutinho, também da Codar.

As sessões de atualização em diabetes têm como foco os profissionais do Sistema Único de Saúde – SUS – (capital e interior) que cuidam do diabetes e estudantes da área de saúde.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/prevenção

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