Notícias /

Atos simples previnem infecções relacionadas com a assistência à saúde

11/06/2015 18:35

Há quase 180 anos, o médico húngaro Ignaz Philipp Semmelweiss instituiu uma medida para conter o alto índice de mortalidade na Primeira Clínica Obstétrica do Allgemeine Krankenhaus, em Viena: a lavagem das mãos, obrigatória para médicos e estudantes que, depois das necrópsias, atendiam parturientes. O índice caiu drasticamente e, ainda hoje, a higienização das mãos é a maneira mais simples e eficaz de prevenir as infecções em procedimentos relacionados com a assistência em saúde, embora ainda seja negligenciada.

Os estudos que levaram a essa constatação por parte de Semmelweiss foram relatados pelo diretor Geral do Hospital Geral Roberto Santos, o professor e médico nefrologista Antônio Raimundo Pinto de Almeida, durante o IV Workshop de Controle de Infecção Relacionada à Assistência À Saúde (IRAs) realizado ontem (10) no HGRS. “Na época, não se conhecia as bactérias e as luvas só surgiram bem depois, feitas com intestino de carneiro. Hoje, continuamos sem lavar as mãos porque resistimos em fazer a coisa certa e estamos usando antibióticos que nunca usamos antes, o que pode nos fazer voltar a uma era pré-antibióticos, em termos de propagação das infecções”, afirmou.

Ressaltando a importância de discutir e adotar medidas de controle das infecções, Antônio Raimundo observou que, nos Estados Unidos, a questão não é mais considerada de saúde, mas de Estado, e criou-se uma força-tarefa para o combate: “É uma questão de economia e de sobrevivência, já que pacientes com bactérias ultra-resistentes têm hospitalização por período mais longo e mais chances de ir a óbito”.

Segurança do paciente e antimicrobianos

Sobre o risco e a impropriedade de se usar antibióticos fortes para infecções leves, a médica infectologista Andréa Straatmann, que conduziu o tema “Atualização em higiene das mãos e precauções de isolamento”, sentenciou: “É como usar bala de canhão para matar mosca. As precauções básicas para evitar a disseminação de agentes contagiantes para os pacientes pelos profissionais de saúde são a lavagem das mãos, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) e a vacina contra hepatite B. Dessas, a lavagem das mãos é a mais eficaz e importante”.

Coordenador da CCIH – Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HGRS, que promoveu o evento, o também médico infectologista Vladimir Neco abordou os temas “Atualização em IRAs – o desafio da responsabilidade de cada profissional” e “S.O.S. Antimicrobianos – respeite sua prescrição”. Hoje, segundo Neco, é importante não apenas tratar do controle das infecções nos hospitais, mas em todos os ambientes onde se faz procedimentos de saúde como hemodiálise, quimioterapia: nas clínicas, asilos, home care (internação domiciliar), etc.

A racionalização do uso de antimicrobianos (drogas capazes de inibir o crescimento de microorganismos) é outra questão importante, já que o uso desses medicamentos fora de uma prescrição rigorosa pode resultar no que os profissionais de saúde mais temem, as bactérias ultra-resistentes, e suas terríveis consequências. O workshop foi encerrado com a palestra “Desmotivação: infecção da alma”, com o administrador Victoriano José Vilanova Garrido Filho, pós-graduado em psicologia organizacional, mais conhecido como Professor Garrido.

B.F./ DRT/BA 1158
/hgrs/infecções

Notícias relacionadas