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Países assinam acordo para reduzir número de vítimas de trânsito

16/06/2015 18:57
Acesse a Pesquisa Nacional de Saúde 2013

Os países do Mercosul assinaram no início do mês (11), acordo para conter e reduzir as mortes por acidentes de trânsito, especialmente entre os jovens. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertam para o crescimento do número de vítimas no trânsito na região. Entre os jovens, essa já é a segunda causa de morte, ficando atrás apenas de homicídios. No Brasil, a faixa etária de 18 a 24 anos representou 17% do total das vítimas fatais em 2013, que chegou a 42.291 pessoas.

Na Bahia, entre 2000 e 2014, cerca de 30 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito, o equivalente à população de cidades baianas como Ruy Barbosa ou Muritiba. Deste total 5.193 pessoas estavam dirigindo motos, enquanto 10.570 eram ocupantes de carros. Em 2013, 52,6% das internações por acidentes de trânsito foram de motociclistas, devido ao grande número de pessoas que passaram a trafegar utilizando este tipo de veículo, elevando a exposição ao risco de se envolver em acidentes; devido à desproteção que este veículo impõe ao seu condutor, o envolvimento em acidentes tende a ser grave, com elevado número de mortes e internações.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) revela que dois em cada dez motociclistas do Brasil não usam o capacete. Nas áreas rurais ainda mais pessoas não usam o equipamento: a cada dez motociclistas, apenas seis viajam protegidos. A pesquisa aponta ainda que apenas 50,2% da população afirmam sempre usar o cinto quando estão no banco traseiro de carro, van ou táxi. Os entrevistados mostram mais consciência quando está no banco da frente, em que 79,4% das pessoas com 18 anos ou mais dizem sempre usar o item de segurança.

“Estamos vivenciando uma epidemia de mortes no trânsito. Em especial, observamos um cenário preocupante entre os jovens. Com altas taxas de mortalidade nessa faixa etária, estamos comprometendo o futuro e o desenvolvimento de uma geração. Esse é um compromisso deve envolver diferentes setores que lidem com a educação, fiscalização, adequação dos equipamentos e a qualidade no atendimento de saúde”, afirma o ministro da Saúde do Brasil, Arthur Chioro.

A taxa de mortalidade brasileira por acidentes de trânsito é de 22,5 por 100 mil habitantes, o que coloca o Brasil na segunda posição no ranking entre os países do Mercosul, segundo dados do Informe sobre segurança no trânsito na Região das Américas, publicado pela OPAS em 2015. No primeiro lugar está a Venezuela, com taxa de mortalidade de 37,2 e, em seguida, o Uruguai e Paraguai com 21,5 e 21,4 mortes a cada 100 mil habitantes, respectivamente.

Os atuais índices demonstram que o número de vítimas na região por acidentes de trânsito vem crescendo a cada ano. Comparando com os dados de 2009, o Brasil passou de uma taxa de 18,3 óbitos por 100 mil habitantes para os atuais 22,5, saindo da quarta para a segunda posição no ranking. Venezuela também apresentou crescimento expressivo, sua taxa quase dobrou no período, passando de 21,8 mortes por 100 mil habitantes, em 2009, para 37,2 em 2015.

Nas Américas, a maior proporção das mortes no trânsito ocorre entre os ocupantes de automóveis (42%), seguidos pelos pedestres (23%) e usuários de veículos de duas ou três rodas (15%). Como grupo, os usuários vulneráveis de vias públicas (pedestres, ciclistas e usuários de veículos de duas ou três rodas) representam 41% de todas as mortes no trânsito.

O Custo dos Acidentes

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,2 milhão de pessoas morrem e cerca de 30 a 50 milhões ficam feridas por ano em decorrência de acidentes de trânsito em todo o mundo. Os custos globais econômicos calculados com acidentes de trânsito são de US$ 1,8 trilhão anuais.

No Brasil, de 2008 a 2013, o número de internações devido a acidentes de transporte terrestre aumentou 72,4%. Considerando apenas os acidentes envolvendo motociclistas, o índice chega a 115%. Em 2013, o SUS registrou 170.805 internações por acidentes de trânsito e R$ 231 milhões foram gastos no atendimento às vítimas. Desse total, 88.682 foram decorrentes de motos, o que gerou um custo ao SUS de R$ 114 milhões. Na Bahia, no que se refere às internações na rede SUS, em 2013, último dado consolidado, cerca de 11 mil internações foram para tratamento de lesões decorrentes de acidentes de trânsito, o que representou um custo superior a R$ 11 milhões para o Estado.

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, em resposta à Década de Ações para Segurança no Trânsito 2011 – 2020, implantou em 2010 o Projeto Vida no Trânsito que tem a finalidade de subsidiar gestores nacionais e locais no fortalecimento de políticas de vigilância e prevenção de lesões e mortes no trânsito por meio da qualificação, planejamento, monitoramento, acompanhamento e avaliação das ações.

As ações têm como foco as intervenções a partir dos fatores de risco prioritários de ocorrência dos acidentes de trânsito, quais sejam: associação álcool e direção, velocidade excessiva ou inadequada. Também foi priorizado o trabalho com foco no usuário vulnerável – motociclistas. Além disso, em breve, o Governo lançará um Plano Nacional de Enfrentamento das Lesões e Mortes envolvendo Motociclistas.

Road Safety

Em novembro de 2015, o Brasil sedia “2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito – Tempo de Resultados”, em Brasília, que tem como objetivo revisar o progresso feito pelos países na implementação do plano e avaliar o andamento das iniciativas para redução das mortes e lesões ocorridas no trânsito em todo o mundo.

A conferência de abordará o tema da segurança no trânsito de forma multissetorial, sob os aspectos da saúde, transportes, educação, mobilidade, infraestrutura, segurança e legislação. Além disso, promoverá o desenvolvimento de indicadores e metas nacionais e globais, e examinará a criação de mecanismos inovadores de financiamento.

Fonte: MS/Ascom Sesab

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