Notícias /

Todo cuidado é pouco para o paciente diabético idoso

01/09/2015 17:17

O diabetes mellitus tipo 2 – DM2, que integra o rol das doenças crônicas não transmissíveis, próprias do envelhecimento da população, tende a crescer no Brasil diante do aumento da expectativa de vida. O controle da doença, que não é fácil no paciente adulto por exigir mudanças no estilo de vida, no idoso é ainda mais complexo como mostrou a endocrinologista e diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Reine Chaves Fonseca, na apresentação sobre ” Particularidades do Tratamento do DM2 no Idoso”. Ela discorreu sobre os aspectos médicos, farmacológicos, nutricionais e sociais que envolvem a atenção ao paciente idoso com DM2.

A apresentação da endocrinologista, que marcou a sessão temática sobre diabetes realizada pelo Cedeba, por meio da Coordenação de Educação e Apoio à Rede (Codar), trouxe muitas informações para os trabalhadores do SUS que cuidam de pacientes com diabetes na atenção básica. Além de conhecerem os avanços no tratamento, tiveram a oportunidade de discutir estudos de casos de pacientes idosos com DM2. A diretora do Cedeba começou mostrando fatores do envelhecimento que predispõem ao DM2, como o aumento da resistência à insulina, devido à redução da massa muscular, e a redução da função do pâncreas (órgão responsável pela produção da insulina).

No paciente idoso com DM2 é muito importante, segundo Reine Chaves Fonseca, avaliar a sarcopenia (perda de massa e força muscular decorrente do envelhecimento). Essa avaliação é feita com a densitometria óssea e bioimpedância, mas um exame simples feito com a fita métrica pode sinalizar a perda de massa muscular: circunferência da panturrilha inferior a 31 cm. A perda de massa e força muscular gera no idoso diminuição da mobilidade, aumento da incapacidade funcional e de sua dependência nas atividades, aumentando o riso de quedas e fraturas.

O risco da hipoglicemia

Segundo a endocrinologista, diabetes no idoso é mais grave nos pacientes que apresentam comorbidades como doença macro e micro vasculares, depressão, alterações cognitivas. A depressão, doença que avança no mundo – destacou – aumenta em duas vezes o risco de demências. Quanto mais doenças associadas, mais medicamentos. Os idosos usam três vezes mais medicamentos que diabéticos não idosos.

E o uso de vários medicamentos exige acompanhamento do cuidador ou de alguém da família no caso de pacientes que perderam a independência. E o uso incorreto de medicamentos pode causar hipoglicemia (redução da glicose em níveis abaixo do normal). A hipoglicemia,segundo a especialista é muito grave no idoso por causa do risco de quedas e fraturas. A hipoglicemia, sem o pronto atendimento é muito grave e pode até levar o paciente à morte, mas os problemas do diabético idoso dependem da condição de cada paciente. O idoso com diabetes, mas capaz de cuidar do próprio corpo e manter as relações sociais, diferente daquele que precisa de ajuda para algumas tarefas e também dos que dependem totalmente de outra pessoas nas tarefas mais simples como tomar banho, se alimentar.

Muito importante para o paciente diabético idoso – pontuou a palestrante – é a mudança no estilo de vida, onde se inclui o encorajamento à pratica de exercícios físicos individualizados e a simplificação do plano alimentar. É preciso adotar cuidados com o paciente para que ele não troque os medicamentos, daí ser muito últil a separação em caixinhas especiais para comprimidos.

A alimentação do paciente diabético idoso precisa de orientação do nutricionista e do acompanhamento da família, porque o envelhecimento provoca a perda do paladar, sendo comum o idoso preferir os carboidratos às proteínas. A complexidade que o diabetes representa para o idoso – destacou Reine Chaves Fonseca – exige que ele seja olhado de maneira especial pela equipe multidisciplinar de saúde e que tenha o apoio da família, muito importante para ajudar o paciente na adesão ao tratamento e melhoria da qualidade de vida.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/DMidoso

Notícias relacionadas