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Oncologista do HEC destaca importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer infantojuvenil

15/09/2015 19:36

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que cerca de 10 mil novos casos de câncer infantojuvenil são registrados, todos os anos, no Brasil. Como forma de combater este tipo da doença, alertando a população sobre a importância da adoção de ações preventivas, comemora-se este mês o “setembro dourado”.

No Hospital Estadual da Criança (HEC)/Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil (LABCMI), a data está sendo lembrada em função de existir o serviço de Oncologia Pediátrica na unidade hospitalar, desde novembro de 2013. Ao longo deste período de funcionamento, o serviço já contabilizou 167 pacientes diagnosticados; desse número, 60 pacientes já terminaram o tratamento e estão em acompanhamento na unidade.

Dentre os pacientes diagnosticados com câncer infantojuvenil no HEC está T.O.R.S., 15 anos, natural de Jacobina. Ele e sua mãe, Cláudia Daniela da Silva Oliveira, estão em Feira de Santana há um mês realizando o tratamento de combate à Leucemia Linfóide Aguda (LLA).

“Comecei sentindo dores no peito. Fui a um hospital em Jacobina, fiz uns exames, e descobri que minhas plaquetas estavam baixíssimas. Fizeram uma investigação mais detalhada e descobriram que eu estava com leucemia. Desabei quando soube a notícia, fiquei em choque, mas a fé em Deus me faz acreditar que tudo vai dar certo. Estou sempre pra cima, brincando, porque sei que se eu desanimar é pior. O tratamento que recebo aqui no HEC me ajuda muito. Esse hospital é show!”, declara o paciente.

A mãe do adolescente acredita que o diagnóstico precoce vai ajudar muito no tratamento. “Creio que a descoberta inicial vai contribuir significativamente para que meu filho fique logo bom. Deus está no controle de todas as coisas e estamos muito esperançosos”, afirma Cláudia Oliveira.

Segundo o médico Maurício Meira, coordenador do Centro de Oncologia do HEC, apesar de ser raro, principalmente se comparado ao câncer nos adultos, o câncer infantojuvenil é a segunda maior causa de mortalidade na faixa etária de 0 a 19 anos – superado pelas causas externas (acidentes).

“Com os avanços no tratamento, as taxas de cura vêm alcançando a margem de 70%. Essas taxas são maiores para os pacientes com diagnósticos precoces, porém observamos que há pacientes que chegam às unidades de oncologia com estágios muito avançados da doença. O diagnóstico feito em fases iniciais do câncer infantojuvenil permite um tratamento menos agressivo, pois quando a carga da doença é menor, há mais possibilidades de cura e menores sequelas associadas à doença ou ao tratamento”, explica o oncologista.

Maurício Meira acrescenta que existem vários níveis de prevenção do câncer. “As medidas de prevenção primária são aquelas que visam diminuir ou eliminar a exposição a fatores de risco sabidamente carcinogênicos, a exemplo da vacina contra o HPV – aplicada na adolescência, mas que reflete resultados na fase adulta. Essa vacina previne formas de câncer de colo uterino (em mulheres) e pênis (homen), por prevenir a infecção viral. Mas o papel dos fatores ambientais no câncer infantil é mínimo”.

Ainda de acordo com o oncologista, exceto pela vacinação contra a hepatite B – que é eficaz na prevenção do desenvolvimento do hepatocarcinoma -, normalmente as medidas de prevenção primária não são efetivas na fase pediátrica. “O importante é a prevenção secundária nesta faixa etária, cujo objetivo é a detecção do câncer em um estágio inicial”, informa.

De acordo com o médico, o diagnóstico precoce é uma forma de prevenção secundária que inclui a adoção de medidas para a detecção de lesões em fases iniciais da doença a partir de sinais e sintomas clínicos, seguida por um tratamento efetivo. “Atualmente o diagnóstico precoce é considerado uma das principais formas de intervenção, que pode influenciar positivamente no prognóstico do câncer na criança e no adolescente”, finaliza.

Fonte: Ascom do HEC
Hospital da Criança/oncologia

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