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Pacientes que participaram da Unidia tiveram os pés examinados

09/11/2015 14:45

Depois das informações sobre diabetes na Universidade do Diabetes (Unidia), atividade que marcou no Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) a comemoração antecipada do Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro), os pacientes tiveram seus pés examinados, ação preventiva do pé diabético, uma das complicações do diabetes mal controlado. Segundo dados do Ministério da Saúde, o pé diabético responde por 70% das cirurgias de amputação de membros inferiores no Brasil, chegando a quase 60 mil amputações anuais.

O pé diabético, como as demais complicações, avança com a duração da doença, daí a importância do controle da glicemia. Ao constatar, com o exame, que seus pés estão bem, a paciente Ana Maria Astolfo, diabética há 30 anos, saiu muito feliz da avaliação. Aos 69 anos, ela participou com muito interesse das faculdades que integraram a Unidia, tendo elogiado o conteúdo e a dinâmica por possibilitar a compreensão por pessoas de qualquer nível de escolaridade. Integrante da Associação de Diabéticos de Salvador (ADISA), que funciona no Pelourinho, Ana Astolfo vestia a camisa da entidade, bem como um número expressivo de pessoas presentes no Cedeba.

Prevenção

A prevenção do pé diabético integra as ações educativas do Cedeba, por meio da Coordenação de Educação e Apoio à Rede (Codar). Além do material educativo, sessões de atualização reforçam com os profissionais da Atenção Básica a importância da atenção para os pés dos pacientes.

Em recente sessão no Cedeba, o cirurgião vascular Cícero Fidelis, destacou que “os avanços da Medicina, com o uso de novas tecnologias, não interferem nas amputações de membros inferiores (AMI). Os países que conseguiram reduzir as amputações apostaram na atenção primária e nas ações de prevenção,”. Ele reafirmou a importância da atenção básica, dizendo “vocês que têm o paciente da comunidade, podem fazer a diferença”.

Segundo o especialista, por trás de calos pode estar uma úlcera. Independente da origem, a úlcera será sempre considerada uma porta de entrada para infecção e, portanto, risco para amputação A maioria das úlceras é causada por traumas e apenas 10%, exclusivamente por problemas vasculares. A neuropatia diabética, que causa a perda da sensibilidade, também é fator de risco para úlceras porque o ferimento não dói.

O exame do pé do diabético é muito importante. Além de avaliar alterações externas importantes como calosidades, rachaduras, micoses, ulcerações, é preciso também verificar sensibilidade e a pulsação dos pés. Como a diminuição da sensibilidade aumenta o risco dos traumas, o paciente diabético deve andar sempre calçado. Sapatos fechados são os melhores para os diabéticos. As sandálias não são recomendadas porque protegem menos os pés; as meias devem ser sem costuras e de algodão. É importante também evitar sapatos apertados para evitar calosidades que podem se transformar em feridas.

Nas lesões infecciosas, há rubor, calor e dor. A temperatura da região do ferimento se eleva, há edema (inchaço) e dor; nas lesões neurológicas, acontece a redução da sensibilidade tátil (dormência). Já nas lesões vasculares (são as mais graves) há alteração na temperatura dos pés, que se tornam mais frios. Segundo o especialista, cada grupo de lesão exige tratamento especial.

Controlar é Preciso

Manter a glicemia sob controle é muito importante para prevenir o pé diabético e demais complicações da doença. Aos 42 anos, Ivonise de Jesus, faz fisioterapia para tentar readquirir a sensibilidade da mão esquerda. Diabética há 16 anos, nunca deu importância para os cuidados para manter a doença sob controle. Há dois anos, “um choque me fez acordar para a realidade: um acidente vascular cerebral (AVC)”. Há três anos passou a usar insulina, mas só após o AVC passou a levar o tratamento a sério.

Ivonise, moradora da Ilha de Barra Grande, fez questão de participar das atividades da Unidia. Na sua avaliação, os conhecimentos que aprendeu nas quatro faculdades foram muito úteis. “Achei excelente, mas o que mais gostei foi a Faculdade do Medicamento e Insulina, porque me permitiu aprender a maneira correta de armazenar o produto na geladeira”.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/pé

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