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Neste sábado, Dia Mundial do Diabetes, participe da mobilização do planeta

13/11/2015 20:50

Certamente você já ouviu alguém falar que tem diabetes emocional, expressão muito usada para negar a doença diante do diagnóstico, porque o diabetes está associado a complicações que reduzem a qualidade de vida: cegueira, amputação, doenças cardiovasculares, renais, impotência sexual. “As complicações existem, mas podem ser prevenidas e retardadas, se o paciente mantiver o diabetes controlado. Para essa conquista é essencial, além dos medicamentos, mudar o estilo de vida com a prática de atividade física e alimentação saudável”, orienta a diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), a endocrinologista Reine Chaves Fonseca.

Mas se você tem informações sobre o diabetes e conhece alguém que tem a doença, mas não se cuida (fuma, faz uso de bebidas alcóolicas sem controle, não faz atividade física e não tem alimentação saudável), participe neste sábado (14 de novembro), Dia Mundial do Diabetes, da mobilização do planeta, para alertar a população sobre a necessidade de ter uma vida saudável que contribua para a redução do diabetes e que ajude a retardar as complicações da doença..

Crescimento

E para discutir, estudar e buscar soluções para melhorar a assistência aos diabéticos no Brasil, quatro mil especialistas estão reunidos em Porto Alegre no XX Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). O diabetes já é considerado pandemia, atingindo 382 milhões de pessoas no mundo, devendo o número de diabéticos chegar, em 20 anos, a 592 milhões, um crescimento de 55% em relação ao dado atual, segundo as estimativas.

No Brasil, 14 milhões de pessoas vivem com a doença, o que representa 7% da população. De acordo com o coordenador do Departamento de Diabetes do Idoso da SBD e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), João Eduardo Salles, o número de diabéticos dobrou no país nos últimos 10 anos, devido ao aumento da obesidade e do envelhecimento da população.

O Diabetes no Idoso foi tema da palestra da diretora do Cedeba, Reine Chaves Fonseca, no XX Congresso da SBD. Ela destacou que o diabetes mellitus tipo 2 – DM2 – que integra o rol das doenças crônicas não transmissíveis, próprias do envelhecimento da população, tende a crescer no Brasil diante do aumento da expectativa de vida. O controle da doença, que não é fácil no paciente adulto por exigir mudanças no estilo de vida, no idoso é ainda mais complexo. Ela discorreu sobre os aspectos médicos, farmacológicos, nutricionais e sociais que envolvem a atenção ao paciente idoso com DM2.

No paciente idoso com DM2 é muito importante, segundo Reine Chaves Fonseca, avaliar a sarcopenia (perda de massa e força muscular decorrente do envelhecimento). Essa avaliação é feita com a densitometria óssea e bioimpedância, mas um exame simples feito com a fita métrica pode sinalizar a perda de massa muscular: circunferência da panturrilha inferior a 31 cm. A perda de massa e força muscular gera no idoso diminuição da mobilidade, aumento da incapacidade funcional e de sua dependência nas atividades, aumentando o riso de quedas e fraturas.

Segundo a endocrinologista, diabetes no idoso é mais grave nos pacientes que apresentam comorbidades como doença macro e micro – vasculares, depressão, alterações cognitivas. A depressão, doença que avança no mundo – destacou – aumenta em duas vezes o risco de demências. Quanto mais doenças associadas, mais medicamentos. Os idosos usam três vezes mais medicamentos que diabéticos não idosos.

A relação entre diabetes e demência foi amplamente discutida no Congresso da SBD. O doutor em Endocrinologia pela Universidade de São Paulo (USP) e diretor da SBD, Domingos Augusto Malerbi, afirmou que o diabetes está associado a um subtipo de Alzheimer, que tem evolução mais lenta: esse tipo de Alzheimer é diagnosticado em pacientes mais velhos, a partir dos 70 anos.

O médico também alertou para a associação entre diabetes e depressão, outro tema do congresso. Segundo ele, a depressão muitas vezes é uma doença que antecede a demência. “É um triângulo: diabetes, depressão e alteração cognitiva” – explica Malerbi.

A relação inversa também pode ocorrer. O neurologista André Dalbem, palestrante do Congresso, explica que o próprio Alzheimer pode levar à depressão. O paciente começa a ser questionado de seus esquecimentos pela família e, quando se dá conta desse déficit, tende a ficar introspectivo, o que pode levar à depressão – afirma.

Proced

Hoje, Reine Chaves Fonseca, que integra a comissão científica nacional do XX Congresso da SBD, fez apresentação sobre a experiência bem sucedida do Projeto de Qualificação do Cuidado e Mobilização Comunitária em Diabetes – (Proced), desenvolvido pela equipe do Cedeba, com o apoio da Fundação Mundial de Diabetes (WDF) e Organização Panamericana de Saude (OPAS). Iniciada em 2008, a experiência foi tão bem sucedida que a WDF deve destinar cerca de U$600 mil para uma nova fase do projeto, que deve se estender pelos próximos três anos.

A diretora do Cedeba apresentou dados que atestam os efeitos positivos do Proced: a ampliação, em seis vezes, no número de solicitações de hemoglobina glicada (indicador de controle do diabetes) e em cinco vezes a detecção de pé diabético nos pacientes assistidos.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/congresso

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