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Impacto social da dengue na Bahia foi tema de audiência na ALBA

17/11/2015 19:55

O Brasil gasta R$ 500 milhões por ano com a dengue e esse ano, o gasto pode ultrapassar R$ 1,2 bilhões para tentar conter o número de casos da doença. A estimativa foi apresentada na manhã de hoje pelo subsecretário estadual da Saúde, o médico infectologista Roberto Badaró, durante audiência pública sobre o tema “Impacto Social e Epidemiológico da Dengue na Bahia”. A audiência pública, organizada pelo deputado José de Arimatéia, vice-presidente da Comissão de Saúde e Saneamento da Assembléia Legislativa da Bahia, aconteceu na Sala Eliel Martins, e teve a presença, entre outros, de representantes da secretaria de Saúde do Município de Salvador, Laboratório Sanofi e Conselho Regional de Medicina (Cremeb), além de deputados estaduais.

Durante sua apresentação, o subsecretário da Saúde falou sobre a importância de se abordar a questão do impacto social da dengue, doença com uma estimativa de 1,5 milhão de casos no Brasil este ano, quase o dobro do ano passado. “As perspectivas de controle da dengue ainda são incertas. O trabalho da Secretaria da Saúde do Estado triplicou esse ano, e ainda assim as ações são insuficientes para conter a epidemia”, afirmou Badaró.

Faixa etária laborativa

O subsecretário da Saúde explicou que a dengue é uma doença provocada por um vírus, da família flavivírus, e que na Bahia já foram identificados quatro tipos desse vírus – 1, 2, 3 e 4. Ele falou também sobre a sazonalidade da doença, que ocorre com mais frequência durante o verão, e lembrou que este ano aconteceram mais duas epidemias, de zika vírus e de chikungunya, doenças com sintomas bastante parecidos com os da dengue. “Com as ações de controle da dengue não se consegue conter todos os casos, mas podemos reduzi-los”, pontuou Badaró.

Com relação à questão do impacto social da dengue, o infectologista disse que a doença incide com mais frequência na faixa etária mais laborativa, entre 20 e 49 anos, causando um impacto social e econômico “incomensurável”. Ainda conforme Badaró, ocorrem cerca de 390 milhões de casos de infecção pelo vírus da dengue a cada ano, no mundo. No Brasil, estima-se um gasto em torno de R$ 500 milhões/ano em atenção e combate à dengue.

O subsecretário citou gastos diretos e indiretos com a epidemia de dengue, entre eles a assistência médica, o controle do vetor, capacitação de recursos humanos, educação em saúde e absenteísmo ao trabalho. Entre as ações da Sesab para controle da doença mencionadas por Badaró estão a elaboração de boletins periódicos, a disseminação de informações para os 417 municípios baianos, ampliação da vigilância laboratorial, visitas aos municípios com maior número de casos, e mais recentemente a criação de um incentivo financeiro para os agentes de saúde dos municípios que alcançarem metas estabelecidas de controle ao vetor.

Ele citou também a aquisição de 500 bombas costais a serem entregues aos municípios prioritários e a elaboração de projetos de pesquisa. “O controle da dengue é um desafio muito grande e complexo, e só a mobilização de todos os setores da sociedade pode diminuir o impacto da doença”, finalizou Badaró.

A representante da Secretaria de Saúde do município de Salvador, Isabel Guimarães, fez uma apresentação sobre a situação da dengue em Salvador. Segundo ela, há registro de casos da doença em todos os Distritos Sanitários de Salvador, e um risco real de epidemia das três doenças – dengue, zika e chikungunya – durante o verão. O bloqueio de focos do Aedes Aegypti, levantamento de índices de infestação (LIRA), ciclo de visitas a imóveis e inspeção em pontos considerados estratégicos da cidade foram algumas ações mencionadas por Isabel Guimarães durante sua palestra.

A.G. MT 696/Ba
Dengue/Assembléia

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