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Projeto de mosquito Aedes transgênico será expandido na Bahia

25/11/2015 14:38

O secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, visitou no último dia 21 a empresa Moscamed, única biofábrica de insetos do Brasil, localizada no município de Juazeiro, distante 512 km da capital baiana, para garantir apoio ao projeto de criação de mosquitos Aedes aegypti transgênicos.

O encontro ocorreu um dia após a visita do ministro da Saúde, Marcelo Castro, em Salvador, quando ficou acertado que esse projeto seria incluído dentro da estratégia nacional de combate às arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypiti, tais como dengue, chikungunya e zika. Segundo o secretário, a estratégia é ampliar o projeto para, pelo menos, as 20 cidades com maior incidência de arboviroses em todo o estado.

Na oportunidade, foi solicitado um cronograma e a previsão de investimento para a expansão do projeto, que será desenvolvido sob a coordenação do subsecretário da Saúde da Bahia, Roberto Badaró. Inicialmente serão identificados os bairros mais afetados de cada localidade, a fim de que haja liberação dos mosquitos transgênicos e redução da população selvagem.

“Temos a convicção de que estratégias alternativas de combate ao mosquito devem ser estimuladas, pois ele se tornou a principal ameça à saúde pública do país, visto que é vetor de transmissão da dengue, chikungunya e zika”, ressalta Vilas-Boas, que complementa ainda que essas doenças estão, supostamente, relacionadas ao aumento do número de casos da síndrome de Guillain-Barré e microcefalia, sobretudo, no Nordeste.

O projeto da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) inclui ainda, a utilização de aplicativos para smartphones nas plataformas Android e iOS. A idéia é que qualquer pessoa possa avisar aos órgãos competentes o local exato de incidência dos focos do mosquito, utilizando para isso o GPS como tecnologia para o georreferenciamento. Assim, o combate do mosquito pelos agentes de endemia será mais eficaz.

Resultados

De acordo com a superintendente da Moscamed, Carla Santos, o projeto atualmente encontra-se em fase de manutenção da colônia e monitoramento em campo. Dados apontam para a redução de até 80% no número de ovos e mosquitos selvagens, nas localidades onde houve a liberação do mosquito transgênico.

O projeto busca reduzir significativamente a população do mosquito Aedes aegypti silvestre, utilizando tecnologia de ponta. Em linhas gerais, a iniciativa busca que as fêmeas do Aedes silvestre, ao cruzar com os transgênicos machos, gerem mosquitos estéreis ou que morram antes de chegar à fase adulta. Assim, espera-se reduzir a incidência de dengue, chikungunya e zika, da qual o Aedes é transmissor.

Atualmente, a biofábrica tem capacidade de produzir de 4 a 5 milhões de mosquitos por semana, o que é suficiente para controlar uma área do tamanho do município de Jacobina. Investir em novas tecnologias para combater o mosquito é uma das estratégias da Sesab para conter a sua expansão.

O reconhecimento da iniciativa veio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Este é foi primeiro projeto desde a aprovação do inseto transgênico pela Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão ligado ao MCTI.

Ascom/Sesab
/dengue/moscamed

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