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HGRS realiza segunda cirurgia com tecnologia de impressão em 3D

26/11/2015 20:54

Um dia depois de realizar cirurgia inédita na região Nordeste, aplicando próteses de titânio fabricadas em impressora 3D, a equipe de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Geral Roberto Santos efetuou novo procedimento utilizando a mesma tecnologia. Hoje (26), o paciente D.C.A. foi submetido à cirurgia para reposicionamento da maxila e avanço da mandíbula e do mento (queixo), denominada cirurgia ortognática.

Com o queixo voltado para trás, ele apresentava problemas respiratórios e de mastigação, além de ter comprometida a estética facial, e há cerca de um ano vem sendo acompanhado pela equipe do HGRS. “O quadro dele é de crescimento pequeno da mandíbula, chamada mandíbula curta, que interfere na mordida, na respiração e na estética da face”, detalha o doutor em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (CTBMF), Adriano Freitas de Assis, também professor e preceptor do Serviço de CTBMF da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

O material utilizado em D.C.A. foram placas e guias de corte, peças totalmente customizadas, ou seja, feitas especialmente para o paciente após um planejamento em computador. “Guias de corte servem para orientar a linha de corte do osso para, de acordo com o planejamento virtual, colocarmos as placas de fixação, avançando a mandíbula para a frente”, acrescentou o cirurgião. Ainda segundo Adriano, o planejamento convencional para esse tipo de cirurgia exige fabricação de moldes de gesso onde vai ser simulada a cirurgia, um processo que exige muito tempo de laboratório e é sujeito a erros significativos.

“Com a nova tecnologia, é realizado um planejamento virtual 3D e fabricação de guias de corte e de posicionamento das placas para fixação óssea em impressora 3D (fusão seletiva a laser). As placas também foram fabricadas em titânio em impressora 3D especificamente para esse paciente, com encaixe perfeito, exatamente nos movimentos que foram planejados., não necessitando de guias de mordida”, afirma.

Precisão cirúrgica

Além de aumentar significativamente a precisão cirúrgica, a nova tecnologia permite reduzir o processo e tempo de planejamento. E, mais importante, reduz o tempo de cirurgia e, consequentemente, o trauma cirúrgico, o risco de complicações pós-operatórias e o tempo de internamento. No caso de D.C.A., o tempo de cirurgia foi reduzido em cerca de 50%. Tudo isso, somado, repercute em menor custo indireto, inclusive pelo uso de menos medicações e menos tempo de ocupação de sala cirúrgica e leito de internamento.

Por ora, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não oferece a nova tecnologia. No caso dos dois procedimentos realizados no HGRS ontem (25) e hoje (26), a equipe contou com doações das empresas Bioconect, que fabrica o material, e Uri Produtos Médicos e Hospitalares, ambas sediadas no estado de São Paulo e que atuam de forma integrada. O material (próteses e peças feitas com tecnologia de impressora 3D) já está regulamentado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e comercializado, mas esta é a primeira vez que é utilizado no Nordeste.

Devid Zille, consultor técnico-científico da Uri Produtos Médicos e Hospitalares, adianta que, além do Brasil, a empresa já fornece tecnologia e material para outros países, a exemplo do Chile, Ucrânia, Bulgária e tem um caso em estudo na Croácia. “O que antes era praticamente impossível, hoje é totalmente viável com essa tecnologia, de excelência em reconstrução facial”, disse o diretor da empresa, Paulo de Moraes, que ontem (25) acompanhou a cirurgia do paciente J.S.S.

Reconstrução facial

Vítima de agressão física há cerca de um ano, o paciente J.S.S. apresentava sequela de fraturas faciais importantes, com afundamento do osso frontal, órbita e osso malar (maçã do rosto), demandando reconstrução do osso frontal, da órbita esquerda e do osso malar esquerdo. “Foram utilizadas próteses customizadas em titânio, fabricadas em impressora 3D (fusão seletiva a laser) especificamente para esse paciente, com encaixe e projeção perfeitos”, explica Adriano Assis.

Os dois pacientes tiveram todo o material de prótese fabricado especificamente para eles. Somente no Hospital Geral Roberto Santos, cerca de uma centena de outros pacientes esperam por cirurgia. “Temos uma fila enorme, com pacientes retrognatas (queixo para trás) e também com queixo excessivo”, afirma o cirurgião Adriano Assis.

Ascom HGRS
/hgrs/3D buco

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