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Audiência pública discute ações para o enfrentamento dos casos de microcefalia

10/12/2015 21:44

“Devemos prestar atenção ao que é sensacionalismo e ao que é real”. Com este alerta, o subsecretário da Saúde, Roberto Badaró, iniciou sua fala sobre microcefalia na audiência pública, sobre o tema, realizada nesta quinta-feira (10), no Centro Cultural da Câmara municipal de Salvador.

Roberto Badaró explicou que a microcefalia é uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Essa condição pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.

Na oportunidade, o subsecretário falou da implantação do Centro de Operações de Emergências em Saúde do Governo da Bahia e explicou o plano de ação do Estado para atender as grávidas e as crianças que nascerem com suspeita de microcefalia. O plano vai desde a realização da ultrassonografia morfológica, realizada nos meses iniciais da gravidez, que permite avaliar o desenvolvimento do bebê, ainda no útero da mãe, com bastante precisão; a ultrassonografia transfontanela, realizada após o nascimento para verificar se há alterações como calcificação, dentre outras lesões que possam comprometer o desenvolvimento da criança, além de tratamento às crianças que confirmarem o diagnóstico da doença. Ele acrescentou que estas ações abrangem a capital e o interior.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde do Ministério Público (Cesau), o promotor de Justiça Rogério Queiroz, ressaltou que têm que ser instauradas duas frentes de trabalho: uma para atender as mulheres grávidas e a outra para atender as crianças que nascerem com a microcefalia, que necessitam de estímulo precoce para conseguirem se desenvolver.

Convocada pela Comissão Especial de Defesa das Pessoas com Deficiência da Câmara de Salvador, a audiência reuniu representantes da sociedade civil organizada, Ministério Público, médicos, técnicos da vigilância epidemiológica do Estado e do município e dos vereadores Leo Prates e Duda Sanches da Comissão Especial, a fim de discutir ações de acolhimento, acompanhamento e tratamento das crianças nascidas com microcefalia. Além disso, ressaltaram a importância do combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika, este último vírus suspeito de ser um dos responsáveis pelo nascimento de crianças com microcefalia.

Dados da microcefalia na Bahia

No ano de 2015, até o dia 3 de dezembro, foram notificados 150 casos suspeitos de microcefalia, sendo 86 casos confirmados com perímetro encefálico igual ou menor que 32 centímetros e 64 notificações sem que haja quaisquer informações sobre o perímetro encefálico. Esse critério segue os novos padrões adotados pelo Ministério da Saúde no último dia 4, em consonância com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dentre os 150 casos, foram notificados seis óbitos nos municípios de Salvador (1), Itapetinga (1), Olindina (1), Tanhaçú (1), Camaçari (1) e Itabuna (1), porém não consta a informação do perímetro cefálico.

Cabe ressaltar que a suspeita, notificação e registro oportuno de casos de microcefalia são fundamentais para desencadear o processo de investigação, visando a identificação das prováveis causas, assim como o acompanhamento da evolução destes casos. Dessa forma, todos os casos identificados de microcefalia que se enquadram na definição do Ministério da Saúde, devem ser comunicados imediatamente (até 24 h) pela equipe do estabelecimento de saúde onde foi realizado diagnóstico, por meio do formulário de notificação de ocorrência de microcefalia disponível no endereço www.resp.saude.gov.br.

Os municípios que concentram o maior número de notificações com indicativo do perímetro encefálico menor ou igual a 32 centímetros são Salvador (53), Lauro de Freitas (4) e Camaçari (3). Este quantitativo não contabiliza os casos notificados sem o indicativo do perímetro.

Ascom/Sesab
Microcefalia

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