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Subsecretário conduz sessão temática sobre doenças virais e microcefalia

18/12/2015 20:38

Situações inusitadas, como as que a Bahia está vivendo com as doenças virais do tipo dengue, chikungunya e zika, e suas consequências, em especial a microcefalia, costumam provocar reações de medo na população e de curiosidade em estudantes e profissionais de saúde. Essa necessidade de inteirar-se do atual quadro epidemiológico levou centenas deles ao Hospital Geral Roberto Santos, hoje (18), para Sessão Temática com o tema “Dengue, Chikungunya, Zika e a relação com a Microcefalia”.

Promovida pela Escola Estadual de Saúde Pública (EESP), a sessão foi conduzida pelo médico infectologista e Subsecretário estadual de Saúde, Roberto Badaró. PhD em Imunologia e Doenças Infecciosas, professor da Faculdade de Medicina da UNIFESP/SP e Adjunto-Doutor da UFBA, Badaró é chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos e ex-consultor da Organização Mundial da Saúde, com atividades de pesquisador e professor em universidades como Harvard, San Diego e Cornell (EUA).

Na abertura do evento, o diretor Geral do HGRS, Antônio Raimundo Pinto de Almeida, anunciou o mutirão para exames oftalmológicos de bebês com microcefalia que acontece na segunda-feira, 21, assim como a abertura, em janeiro, de 20 leitos de UTI Neonatal, e a superintendente de Vigilância e Proteção da Saúde, Ita de Cácia Aguiar Cunha, ressaltou a necessidade de notificação de todas essas doenças virais. “Os dados da notificação subsidiam nossa ação. Se fizermos um bom trabalho com a vigilância, aliviamos a assistência”.

Para a superintendente, a vigilância, o serviço e a gestão em saúde devem estar integrados. “Não é só a microcefalia. Mães que referem ter tido zika e cujos bebês nasceram com perímetro encefálico normal precisam ser acompanhadas”. Para Ita de Cácia, o que está havendo com relação a essas doenças é inusitado no mundo, não só na Bahia, o que exige prevenção com relação à proliferação do mosquito Aedes aegypti e capacitação dos profissionais para o diagnóstico da microcefalia.

Responsabilidade

Para dimensionar a gravidade das epidemias que têm, como elo comum, o mosquito transmissor Aedes aegypti, o infectologista Roberto Badaró citou a declaração de estado de emergência em saúde pública feito pelo ministro da Saúde, em novembro. “Isso só havia sido feito em 1937, com a gripe espanhola. Estamos vivendo uma condição importante, na Bahia, e devemos entender o que está acontecendo para dar ciência à população, sem alarde, mas com responsabilidade”, salientou.

Badaró traçou um amplo panorama das epidemias, em particular aquelas transmitidas pelos mosquitos, como a malária, cujo combate, na década de 1950, chegou a praticamente eliminar o Aedes aegypti nas áreas urbanas, e apontou a responsabilidade das pessoas com relação às doenças. “O homem precisa entender que a relação dele com a natureza e os outros seres é de extrema importância, e ele deve compreender essa relação. O homem, e o que ele carrega, é o principal fator de propagação das epidemias”, relatou, apontando a disseminação do calazar, doença que chegou ao Brasil trazida pelos cães que vieram nas naus portuguesas.

Atribuindo a intensa proliferação do mosquito a fatores como o desmonte de órgãos, ainda no governo Collor, que resultaram na extinção dos guardas sanitários, o médico e professor advertiu para o fato de que, hoje, temos a possibilidade de contar com até cinco mil mosquitos por metro quadrado (m²). Acenou, ainda, com a possibilidade de outras variantes de vírus estarem provocando alterações no nosso sistema nervoso central, além do zika vírus, detectado em uma floresta africana com este nome, onde se apresentava, inicialmente, em macacos.

Ele considera ainda frágil a associação entre um vírus específico, como o da zika ou o da chikungunya, a alterações como a Síndrome de Guillain-Barré e a microcefalia. “Ainda estamos na fase clínico-epidemiológica, a correlação epidemiológica ainda está sendo estudada”, observou. Badaró considerou um lado positivo decorrente da situação atual: a melhoria na atenção na saúde básica, fruto da mobilização das prefeituras em conjunto com o governo do estado e a Secretaria da Saúde, Sesab.
B.F. DRT/BA 1158
Ascom HGRS

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