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OMS destaca a pandemia do diabetes no Dia Mundial da Saúde

06/04/2016 15:09

“Aqui tenho atendimento com ginecologista, fisioterapeuta, dentista, nefrologista, cardiologista, endocrinologista, angiologista, nutricionista, oftalmologista, psicólogo, enfermeira. Também participo do grupo de educação Doce Conviver. E mais recentemente, comecei a ter sessões de massagens nos pés (reflexologia podal) e pilates.” A descrição é da paciente Maria Auxiliadora Soares dos Santos, 54 anos, moradora do Bairro da Paz, em Salvador, antes de iniciar hoje o atendimento com a fisioterapeuta Lorena Arruda, no Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

O diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2, foi há dez anos e, em razão das complicações da doença, há oito vem sendo acompanhada no Cedeba, Maria Auxiliadora, como grande parte dos pacientes no Brasil, soube que tinha diabetes com a doença em estágio avançado. Já perdeu dois dedos em cada pé e tem complicações na visão e nos rins. Mas a vinda para o Cedeba a ajudou muito a mudar o estilo de vida, aprendendo o caminho da alimentação saudável e a necessidade da prática regular de exercícios físicos.

Filha de pais diabéticos, ela não sabia que esse seria um dos fatores de risco para a doença, que já atinge 382 milhões de pessoas no mundo. Segundo as estimativas, deve chegar a 592 milhões de casos, em 20 anos, um crescimento de 55% em relação aos números atuais. No Brasil, são aproximadamente 14 milhões de diabéticos, o que representa 7% da população. O número de diabéticos dobrou no país nos últimos 10 anos, devido ao aumento da obesidade e ao envelhecimento da população.

Preocupação da OMS

O crescimento do diabetes está no centro das atenções da Organização Mundial de Saúde (OMS), que escolheu a doença para tema do Dia Mundial da Saúde, que será celebrado amanhã (7 de abril), quando será apresentado o primeiro relatório internacional sobre diabetes. Neste relatório estarão registros da experiência do Cedeba, escolhido como modelo de assistência pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

O principal objetivo desta data é conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da saúde para ter uma melhor qualidade de vida. O Dia Mundial da Saúde foi criado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1948, devido à preocupação de seus integrantes em manter o bom estado de saúde das pessoas em todo o mundo, e também alertar sobre os principais problemas que podem atingir a população mundial.

E o diabetes, se não for controlado, reduz a qualidade de vida, em razão das complicações, observa a diretora do Cedeba, a endocrinologista Reine Chaves. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) são os caminhos para retardar as complicações (retinopatia, pé diabético, neuropatia, nefropatia, problemas macro e microvasculares, doença arterial coronariana) da doença, que cresce em todo o mundo, já sendo considerada uma pandemia.

Segundo a endocrinologista do Cedeba Iraci Lúcia Costa Oliveira, o diabetes tipo 2 – representa 90 % dos casos da doença contra 10% do tipo 1 – deve ser diagnosticado precocemente. Hoje – disse – temos meios mais precisos para evitar que um paciente com alteração na glicemia – maior que 100 e menor que 125 – mas com fatores de riscos elevados (histórico familiar, sedentarismo, obesidade, colesterol e triglicérides elevados, hipertensão) evolua para o diabetes.

Segundo a especialista, a partir dos 40 anos aumenta o risco de diabetes, bem como de outras doenças crônicas. O risco existe para todas as pessoas que envelhecem. O que muda – disse – é o nível do risco, que pode ser menor ou maior. No caso do diabetes tipo 2, o fator genético é muito importante. Outro fator de risco importante é representado pelas dislipidemias. É preciso ficar atento ao HDL e aos LDL (frações do colesterol). O HDL baixo é tão vilão quanto o LDL alto.

Educação em Diabetes

Como Centro de Referência em Diabetes, o Cedeba atende pacientes com diabetes tipo 2, referenciados pela Atenção Básica, que já apresentam complicações decorrentes da doença, e os pacientes com diabetes tipo 1. Mas desenvolve trabalho de qualificação da Atenção Básica para identificar e tratar os pacientes na fase inicial da doença, na capital e no interior.

O Cedeba tem uma ampla produção de materiais educativos disponíveis no seu site www.saude.ba.gov.br/cedeba, que podem ser reproduzidos pelos municípios, associações, e são muito importantes para ajudar a população a ter informações sobre diabetes. No atendimento aos seus pacientes, o Cedeba, por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), também focaliza a educação com trabalhos de grupos educativos, como o “Doce Conviver”, com ênfase no auto cuidado. Os pacientes com diabetes tipo 1, crianças e adolescentes, aprendem de forma lúdica, sob a orientação de uma pedagoga, a contar carboidratos e montar cardápios variados, respeitando o plano alimentar definido pela nutricionista. Os pais também recebem orientações no programa “Sala de Espera”.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/dia mundial

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