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Obesidade é fator de risco para várias doenças

28/04/2016 17:26

A maioria das pessoas com obesidade sempre acredita que o problema decorre de distúrbios na tireóide, mas os números mostram exatamente o contrário. Fatores genéticos, erro alimentar e falta de atividade física são as principais causas da obesidade, enquanto os casos que resultam de problemas endócrinos são minoria. Isso foi o que destacou a endocrinologista do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Thaisa Trujilho, ao abordar o tema “Aspectos Médicos da Obesidade”, em evento que lotou, na manhã de hoje, o auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS), no reinício do ciclo mensal de palestras sobre obesidade.

De acordo com a endocrinologista, a obesidade precisa ser tratada porque é fator de risco para várias doenças: hipertensão, diabetes, esteatose hepática (gordura no fígado), problemas circulatórios, colesterol elevado, problemas ortopédicos e depressão. Diante da complexidade da obesidade, o tratamento no Cedeba é realizado por uma equipe multidisciplinar que inclui endocrinologista, nutricionista, psicólogo, enfermeira, assistente social e fisioterapeuta. E cada paciente exige um olhar especial da equipe, como observou a endocrinologista. A realidade de uma pessoa que aumentou cinco quilos é bem diferente daquela que precisa eliminar 50 quilos. Também quem sempre teve problema com a obesidade e aquele que era magro e, de repente, passou a engordar são casos bem diferentes.

Desafios

Os pacientes ouviam com muita atenção os ensinamentos da endocrinologista. Márcia Rocha Silva, 47 anos, 104 quilos, residente em Salvador, define como ótimo o atendimento que recebe no Cedeba e por isso não perde as palestras. Ela sonhou com a bariátrica há 12 anos, mas há 11 anos engravidou e teve que adiar seu sonho. Quando chegou ao Cedeba, há cinco anos, pesava 120 quilos, mas conseguiu reduzir o peso com atividade física e reeducação alimentar. Cuidadora de idosos, ela já enfrenta dificuldades por causa do excesso de peso, principalmente pelas dores articulares, quando precisa subir ladeiras.

Já Conceição Aparecida Silva dos Santos, 44 anos, 120 quilos, já pesou 132. Residente no município baiano de Laje, no Vale do Jequiriçá, está há três anos no Cedeba. “E só continuo o tratamento porque os profissionais aqui são muito bons e nos tratam com muito carinho”. Disciplinada, exibia com orgulho a vasilha térmica onde trouxe o almoço para evitar fugir do plano alimentar. Mas apesar do esforço e das várias dietas para chegar aos sonhados 60 quilos, “só mesmo com a bariátrica”, acredita.

Em alguns casos, mesmo com a bariátrica o paciente volta a engordar. E os pacientes têm essa consciência. Quando a psicóloga Aline Fonseca perguntou ao auditório se a cirurgia de redução soluciona o problema da ansiedade que leva a pessoa a comer sem controle, ouviu o coro: “Não!!!!”. Porque eles já aprenderam que a bariátrica opera o estômago, e não a cabeça.

Por isso que o acompanhamento psicológico que os pacientes têm no Cedeba antes e depois da cirurgia é tão importante. E os aspectos psicológicos foram objeto da palestra da psicóloga do Núcleo de Obesidade do Cedeba, Aline Fonseca, com o tema “O Papel da Psicologia no Tratamento da Obesidade”.

A psicóloga discutiu com os pacientes os motivos que levam a pessoa a comer. Muito mais que a fome, as pessoas comem em razão de aborrecimentos, frustração, felicidade, nervosismo, solidão, quando está esperando ou adiando alguma decisão ou para comemorar.

É preciso – orientou a psicóloga – prestar atenção no ato de comer, sentindo o sabor e a textura do alimento. Os estados internos como emoção, fadiga e sonolência interferem na maneira como a pessoa se alimenta e contribuem para o ganho de peso extra que pode levar à obesidade.

Aline Fonseca discutiu também a questão dos comportamentos que podem levar à obesidade. Depois de exagerar no consumo de alimentos, vem a promessa de compensar o estrago no dia seguinte. A pessoa come muito num dia, no outro passa fome. Aí come muito de novo, porque a fome bate forte. Então, se instala o ciclo “só uma vez não faz mal”. As pessoas também tentar enganar-se com a desculpa que “ninguém está vendo” o excesso. E tem também a justificativa “todos estão comendo”, reação que toma conta do paciente quando ele está numa festa, por exemplo. Se o paciente passa um dia difícil, de muito trabalho e desafios, ele se excede na alimentação por achar que merece uma recompensa.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/obesos

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