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HGRS inicia projeto piloto para controle da disseminação de bactérias multirresistentes

01/06/2016 13:21

Preocupada em qualificar constantemente a assistência oferecida no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), a diretoria da instituição implementou, a partir da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Emergência, um projeto piloto para controle da disseminação das bactérias multidrogarresistentes (MDR). Este tipo de ação, conforme indica a literatura médica, é relacionado à queda da taxa de mortalidade, redução do tempo de internamento no hospital e economia de gastos, pois, ao eliminar bactérias resistentes a antibióticos de último recurso, a unidade diminui consideravelmente a prescrição desta classe de medicamentos para seus pacientes.

Em médio prazo, o projeto pode abranger todas as UTIs do hospital e, consequentemente, atingir unidades de outras instituições, segundo explica a infectologista Verônica França, uma das responsáveis pelo trabalho. “As bactérias multirresistentes são sinal de alerta em todo mundo. Hospitais da rede pública e privada precisam enfrentar esta questão cotidianamente. Muitas vezes, recebemos pacientes transferidos de outros locais com bactéria de elevada resistência aos antibióticos. Então, se entendemos que o paciente é carreador desse tipo de bactéria no momento da internação, evitamos a disseminação e ainda notificamos o setor de origem”, explica.

De acordo com a médica, a presença do infectologista na UTI, além de promover o controle da disseminação das bactérias MDR, pode contribuir para a escolha da melhor antibioticoterapia (tratamento de infecções causadas por bactérias), diagnósticos mais precisos e invasões orientadas: “o perfil de sensibilidade das bactérias é alarmante e a vigilância ativa facilita o controle. Conseguimos dar o primeiro passo graças à reestruturação da equipe médica e à adesão da Enfermagem e da Coordenação de Higienização. Hoje, poucos meses após o início do projeto, já conseguimos observar um cenário mais positivo na UTI da Emergência, tanto do ponto de vista estrutural quanto na evolução clínica dos pacientes”.

A vigilância das bactérias multidrogarresistentes é, inclusive, a única forma efetiva de controlar um surto, como lembra Thiago Cavalcanti, coordenador da Comissão de Infecção Hospitalar (CCIH/HGRS). “A identificação de cepas resistentes colonizando evita a disseminação e a infecção. No futuro, pretendemos criar um modelo de notificação de bactéria logo na admissão do paciente que chega à Emergência”, conta o infectologista.

Fazem parte do fluxo de controle a coleta de material nasal, retal e de feridas; protocolo de limpeza e aumento do número de profissionais; discussão da antibioticoterapia com infectologista; troca de dispositivos invasivos no paciente; bloqueio de leitos para isolar os casos já detectados; e isolamento até emissão de resultados do laboratório.

Ascom HGRS
/hgrs/bactérias

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