Notícias /

Pesquisa realizada no Iperba mostra que gestantes adolescentes desconhecem a maioria dos métodos contraceptivos

02/06/2016 14:09

O grau de conhecimento sobre métodos contraceptivos entre gestantes adolescentes é baixo. Este é o resultado da pesquisa desenvolvida pela médica obstetra Milena Brito, do Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba), maternidade pública vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Referência para pré-natal de adolescente, a unidade serviu como campo de pesquisa durante 01 ano, entre 2014 e 2015.

Os dados apontam que das 100 adolescentes gestantes entrevistadas, 61,1% conheciam menos do que quatro métodos contraceptivos e menos de 30% conheciam os métodos contraceptivos de longa duração: dispositivos intrauterinos e implantes, que são os métodos reversíveis mais eficazes disponíveis. A partir disso, observa-se o grande índice de gravidez não planejada, visto que mais de 80% das meninas disseram ter engravidado acidentalmente. Os métodos mais conhecidos pelas gestantes foram a camisinha (91,1%), a pílula (83,3%) e o contraceptivo injetável (75,6%).

Recentemente, o Guttmacher Institute – organização norte americana que realiza estudos sobre a saúde sexual e reprodutiva – apresentou um relatório no qual destaca regiões como a América Latina, onde uma em cada três gestações termina em aborto. Ressalta ainda que as leis contra o aborto não limitam o número de interrupções de gestações, podendo levar pessoas a buscarem meios de abortarem ilegalmente. Baseado nisso, Bela Ganatra, da Organização Mundial de Saúde (OMS) diz: “As altas taxas de aborto verificadas em nosso estudo fornecem novas evidências de que precisamos melhorar e expandir o acesso a serviços de planejamento familiar”.

A ideia reforça a pesquisa desenvolvida no Iperba de que as mulheres, incluindo as adolescentes, ainda desconhecem as opções mais seguras para evitar uma gravidez indesejada. “Tornando acessível a possibilidade de uma adolescente evitar a gravidez indesejada, até que se sinta pronta para se tornar mãe, tem um importante impacto socio-econômico e pscicológico. Isso permite que ela e seu filho alcancem uma vida mais saudável, com mais educação e melhores oportunidades de trabalho. O impacto positivo do investimento em serviços de saúde sexual e reprodutiva para mulheres adolescentes é inegável”, pontua o Guttmacher Institute

Dados da pesquisa realizada no Iperba

Foram coletados os seguintes dados das 100 gestantes entrevistadas no Iperba: a primeira relação sexual ocorreu em média aos 14 anos de idade; 62,9% definiu-se como de cor parda; 63,4% tem renda familiar mensal menor ou igual um salário mínimo; 65,1% são solteiras; 60,3% residiam com os pais; 69,4% abandonaram a escola devido à gestação; 90% não trabalhavam; idade média do parceiro: 20 anos; 69,9% dos parceiros trabalham.

Em relação ao desejo de uso do método contraceptivo após o parto: 40,4% gostariam de usar injeção, 19% DIU-Cu e 10,1% pílula. As demais não sabiam o que usar; 87% relataram que não pretendem usar preservativo após a gravidez.

Planejamento familiar e atendimento à adolescente no Iperba

O Iperba oferece à população de Salvador o serviço de planejamento familiar para mulheres e adolescentes, além de realizar oficinas educativas. O agendamento das consultas acontece de segunda a sexta-feira. O direito ao planejamento familiar é garantido constitucionalmente e regulamentado pela Lei 9.263/96. É atribuição do Estado fornecer recursos educacionais e científicos para que os cidadãos brasileiros possam ter filhos quando ou se quiserem. Aos adolescentes, enquanto sujeitos de direito, deve-se assegurar a atenção integral à saúde, inclusive a sexual e a reprodutiva.

Quando a gravidez ocorre na adolescência, observa-se maior risco de morbi-mortalidade materna e infantil, nascimentos prematuros e de recém-nascidos com baixo peso. Além disso, complicações socioeconômicas como abandono escolar, relacionamentos familiares conflituosos e recorrência de gestação na adolescência.

Ascom do Iperba
Iperba/pesquisa

Notícias relacionadas