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Profissionais do HGVC passam por curso de atualização sobre o uso de crack e outras drogas

10/06/2016 14:14

Com o lema “Crack, é possível vencer”, está sendo realizado no Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC) o Curso de Atualização em Atenção Integral aos Usuários de Crack e Outras Drogas. Promovido pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em parceria com o Ministério da Saúde e secretarias da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e Justiça e Direitos Humanos (SJDH), o curso, que começou ontem (09), está sendo ministrado pelo professor Psicologia da UFRB, João Mendes Lima.

Voltado para profissionais que atuam em hospitais gerais, o curso tem a duração de oito encontros e carga horária de 70 horas de atividades. “O curso vem sendo pensado na lógica da educação permanente com metodologias problematizadoras com o intuito de abrir uma perceptiva diferente em relação ao tema, qualificando profissionais da saúde para o atendimento de usuários de crack, álcool e outras drogas. O plano tem várias ações, abertura de serviços, requalificação de serviços e formação dos técnicos que vão receber os usuários”, como explicou João Mendes Lima.

Desde 2010 que este trabalho vem sendo feito na Bahia. Desta vez, a parceria foi feita com o município de Vitória da Conquista, por ser uma das cidades que aderiu ao Plano Nacional do “Crack, é possível vencer”. Cerca de 1.200 profissionais já participaram desse curso.

Segundo João Mendes Lima, a grande pretensão é inverter a lógica da ação do estado em ralação à política de drogas, que ainda é fortemente marcada pelo modelo proibitivo repressivo. “Aos poucos estamos tentando a inversão dessa lógica para que o uso das substâncias seja considerado uma demanda para saúde e desenvolvimento social e não para a polícia. O projeto esbarra com frequência no preconceito, é complicado derrubar alguns estigmas. Por conta disso, a primeira aula do curso é justamente uma apresentação onde é apontado o que mito dentro da realidade do usuário e quais os termos corretos que devem ser usados”, esclareceu.

De acordo com o professor, sempre houve uma grande demanda de formação, pois o debate que ainda é normalmente feito no Brasil é o mesmo de 40 anos atrás. “É um tema que não é tratado nos cursos de graduação nem nos cursos de formação técnica, e hoje há uma enorme tentativa de formar cursos profissionais que já estão em atividade, exatamente no sentido de tentar produzir a inversão do modelo, que se desloque para ação policial agressiva para o tratamento. O efeito disso é termos um serviço cada vez mais instrumentalizado e mais fortalecido”, finalizou.

Ascom HGVC
/hgvc/crack

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