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Paciente com obesidade quer fôlego para voltar a cantar e fazer tarefas do cotidiano

26/07/2016 17:15

Tarefas simples como calçar os sapatos, andar de bicicleta, jogar bola, passear com as crianças são sonhos para Edson Novais dos Santos, 33 anos, que enfrenta muitas limitações por causa da obesidade. Com 1,69 de altura e 190 quilos, ele deixou e lado a carreira de cantor e baterista, porque lhe faltou fôlego. Ao chegar ao Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) pesava 251 quilos, quando nem o banho conseguia tomar sozinho. Com orientação da equipe multidisciplinar, conseguiu perder 60 quilos.

Hoje ele retornou ao Cedeba e saiu de lá muito animado, ao ser atendido pela endocrinologista Teresa Arruti. Além de avaliação pela médica, também passou pela psicóloga e pela nutricionista. Como o seu IMC (relação peso/altura) ainda está muito alto – 60 -, Teresa Arruti o encaminhou ao Hospital Roberto Santos para que ele receba o balão intragástrico, que o ajudará a perder mais peso e chegar à cirurgia bariátrica, de redução do estômago, em condições mais seguras, em relação à cicatrização da incisão do abdome, como explicou a endocrinologista.

Edson, que define como 100% o atendimento do Cedeba para os pacientes com obesidade, entendeu o encaminhamento da endocrinologista; “não adianta fazer cirurgia com riscos para o paciente”, observou. O tempo médio para o uso do balão é de seis meses e a perda de peso é de até 40 quilos.

Perfil para bariátrica

Segundo Teresa Arrutti, coordenadora do Núcleo de Obesidade do Cedeba, a situação de Edson tem indicação para bariátrica. Mesmo tendo perdido 60 quilos continua sofrendo com a obesidade. E o sofrimento é muito grande, como pontua o paciente, que vê como um dos problemas graves o preconceito da sociedade que compreende ser a obesidade uma opção e não uma doença severa e crônica.

No seu caso de Edson, a obesidade tem influência genética. Uma irmã já fez bariátrica e tem outra que também já está querendo vir tratar-se no Cedeba. Ele acredita que o caminho também será a redução do estômago.

Residente em Poções, no sudoeste da Bahia, Edson enfrenta dificuldades para sobreviver e criar as três filhas com idades de 15, 13 e 4 anos. Sem poder trabalhar, vive do auxílio doença que recebe do INSS e do pequeno salário da esposa, Rosicleia Jesus Silva Santos, servidora de saúde do município onde moram.

Além de sofrer com o bulling por causa da obesidade, Edson tem problemas de saúde associados ao excesso de peso: hipertensão, apnéia do sono que o obriga a dormir com vários travesseiros (quase sentado como explica a esposa), fortes dores nas articulações que dificultam a marcha e dificuldade respiratória, problema que o impede de cantar na noite, como fazia desde o final da adolescência. Cantava soul e rock, principalmente.

Com ajuda de amigos consegui gravar um CD goespel, “Jesus Cuida de Mim”, e está selecionando entre as mais de cem músicas que já compôs, um novo CD com canções no estilo pop romântico para gravar.

Nos planos de Edson, uma pessoa muito tranquila e zen, segundo sua esposa, com a bariátrica pretende, voltar a cantar e tocar na noite e e multiplicar seu trabalho, ensinando musica a crianças e adolescentes carentes porque ” a música é muito importante para a prevenção das drogas”.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/obeso

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