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Diagnóstico precoce de câncer permite um tratamento menos agressivo e com mais chances de cura

06/09/2016 13:00

Neste mês comemora-se em todo o país a campanha “Setembro Dourado”, que busca conscientizar a população sobre o câncer infantojuvenil com ações preventivas e alertas sobre a doença. Cerca de 12.600 novos casos de câncer em crianças e adolescentes serão diagnosticados no Brasil este ano e em 2017, conforme atual estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

A campanha está sendo divulgada no Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, onde existe um Centro de Oncologia Pediátrica desde novembro de 2013. Ao longo deste período de funcionamento do setor, 250 pacientes já foram diagnosticados e, desse número, 75 pacientes já terminaram o tratamento e estão em acompanhamento na unidade.

Segundo o médico Maurício Meira, coordenador do Centro de Oncologia do HEC, apesar de ser raro, principalmente se comparado ao câncer nos adultos, o câncer infantojuvenil é a segunda maior causa de mortalidade na faixa etária de 0 a 19 anos – superado pelas causas externas (acidentes).

Ainda de acordo com o oncologista, com os avanços no tratamento, as taxas de cura vêm alcançando a margem de 70% em centros especializados. “Essas taxas são maiores nos casos dos pacientes cujo diagnostico é feito de forma rápida e precoce. O diagnóstico feito em fases iniciais do câncer infantojuvenil permite um tratamento menos agressivo, pois quando a carga da doença é menor, há mais possibilidades de cura e menores sequelas associadas à doença ou ao tratamento. Porém, infelizmente, ainda observamos que há pacientes que chegam às unidades de oncologia com estágios muito avançados da doença”, ressalta Dr. Maurício Meira.

O tratamento do câncer começa com o diagnóstico correto, conforme o oncologista, quando, além da suspeita clínica, há necessidade da participação de um laboratório confiável e do estudo de imagens. “Pela sua complexidade, o tratamento deve ser efetuado apenas em centros especializados, e compreende três modalidades principais (quimioterapia, cirurgia e radioterapia), sendo estas aplicadas de forma racional e individualizada para cada tumor específico e de acordo com a extensão da doença”, salienta.

Maurício Meira acrescenta ainda que o trabalho coordenado de vários especialistas também é um fator determinante para o êxito do tratamento (oncologistas pediatras, cirurgiões pediatras, radioterapeutas, patologistas, radiologistas), assim como de outros membros da equipe médica – enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos.

Prevenção primária

Existem vários níveis de prevenção do câncer, segundo o oncologista. “As medidas de prevenção primária são aquelas que visam diminuir ou eliminar a exposição a fatores de risco sabidamente carcinogênicos, a exemplo da vacina contra o HPV – aplicada na adolescência, mas que reflete resultados na fase adulta. Essa vacina previne formas de câncer de colo uterino (em mulheres) e pênis (homens), por prevenir a infecção viral. Mas o papel dos fatores ambientais no câncer infantil ainda é desconhecido”, explica.

Diagnóstico precoce

Ainda de acordo com Maurício Meira, exceto pela vacinação contra a hepatite B – que é eficaz na prevenção do desenvolvimento do hepatocarcinoma -, normalmente as medidas de prevenção primária não são efetivas na fase pediátrica. “O importante é a prevenção secundária nesta faixa etária, cujo objetivo é a detecção do câncer em um estágio inicial”, informa.

O diagnóstico precoce, conforme o oncologista, é uma forma de prevenção secundária que inclui a adoção de medidas para a detecção de lesões em fases iniciais da doença a partir de sinais e sintomas clínicos, seguida por um tratamento efetivo. “Atualmente o diagnóstico precoce é considerado uma das principais formas de intervenção que pode influenciar positivamente no prognóstico do câncer na criança e no adolescente”, finaliza.

Ascom HEC
/hec/tratamento precoce

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