Notícias /

Sucesso do tratamento de diabetes passa por mudanças no estilo de vida

06/09/2016 17:14

Mudanças no estilo de vida são essenciais para o controle do diabetes. Sem isso, ainda que o paciente use medicações mais avançadas, ele não terá sucesso no tratamento, além de ficar mais vulnerável a outras doenças que levam a complicações do diabetes. Isso foi o que analisou hoje a endocrinologista Iraci Lúcia Oliveira, na sessão mensal de atualização em diabetes, promovida pelo Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), por meio do Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar).

A endocrinologista, também professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentou e discutiu dois estudos de caso de diabetes. No primeiro, de diabetes tipo 2, o paciente, com 54 anos, além do diabetes, tem colesterol e triglicérides elevados, sobrepeso, infecção urinária de repetição, circunferência abdominal acima do esperado, hipertensão, glicemia pós-prandial (pós- refeições) elevada. Como o paciente usa medicação para o colesterol e para hipertensão e não está controlado, foi apontada a necessidade de se estabelecer um plano alimentar que leve à redução do peso.

Os participantes da sessão, trabalhadores do SUS que atuam na Atenção Básica e estudantes da Área de Saúde, foram orientados pela coordenadora da Codar, Graças Velanes, sobre a utilização do Guia Básico de Orientação Nutricional, elaborado há cinco anos pela equipe de Nutrição e Codar/Cedeba, que chega em novembro deste ano a sua terceira versão. Nas unidades dos municípios que não contam com nutricionista, o guia, disponível no site do Cedeba, traz além de exemplos de planos de alimentação, lista de substituições de alimentos.

Plano de acordo com a realidade

A endocrinologista Iraci Lúcia de Oliveira destacou a importância do trabalho do nutricionista no processo de reeducação alimentar dos pacientes. Para o sucesso – pontuou – é preciso que sejam levados em consideração os alimentos que o paciente gosta, os alimentos que ele pode comprar, a oferta de alimentos na região onde ele vive e o seu recordatório alimentar.

É muito importante, segundo a endocrinologista, que o paciente diabético (vale também para quem tem obesidade) siga o Plano Alimentar com disciplina. Há pacientes que seguem o Plano de segunda a sexta-feira, e no final de semana exageram. Há pessoas que chegam a ganhar de dois a quatro quilos em razão dos excessos de final de semana.

Ainda segundo a análise da endocrinologista, a partir do estudo de caso, em que o paciente usa medicação para o colesterol, mas a taxa está elevada, “os medicamentos têm que ser tomados regularmente, sem interrupção. Como colesterol alto não dói, as pessoas às vezes não dão atenção ao problema. Não dói, mas é fator de risco para AVC (acidente vascular cerebral) e enfarte.” E o paciente do caso estudado tem baixo HDL ( o bom colesterol), que funciona como uma vassourinha, limpando as artérias, como explicou a palestrante. Já LDL elevado age, ao contrário, na formação de ateromas, placas que contribuem para a obstrução das artérias. Iraci Lucia Oliveira observou que o risco de doença coronariana está presente em todas as pessoas, mas é muito maior no paciente diabético, que muitos estudos já definem como um “pré-infartado”, daí a importância de manter a glicemia sob controle, cuidando da alimentação, fazendo exercício físico e usando as medicações de acordo com a prescrição médica.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/sessão0609

Notícias relacionadas