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População desconhece riscos do diabetes para os rins e o coração

13/09/2016 17:51

Somente hoje, até as 11h20m, 5225 pessoas tiveram o diagnóstico de diabetes no mundo, enquanto 1214 que tinham a doença morreram em decorrência de problemas cardiovasculares. Os números mostrados no painel eletrônico na Estação do Metrô Campo da Pólvora, em Salvador, fazendo registro em tempo real, não param de crescer, tendo como objetivo chamar a atenção da população para os riscos das complicações do diabetes, notadamente problemas renais e cardiovasculares, e fazem parte da campanha Diabetes sem Complicações, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Segundo a diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia, também vice-presidente da SBD, Reine Chaves Fonseca, as pessoas, de um modo geral, apontam como complicações do diabetes a cegueira (em decorrência da retinopatia diabética) e as amputações (consequência da neuropatia diabética). E essa visão está evidente na pesquisa da SBD, em parceria com o IBOPE, com a participação de 600 internautas, sendo 145 com diabetes.

Os resultados da pesquisa demonstraram que as alterações cardiovasculares e renais, embora sejam potencialmente fatais, não estão entre as principais preocupações: menos da metade dos entrevistados (42%) citou as doenças cardíacas como as consequências mais relevantes e, mesmo entre os diabéticos, elas só foram mencionadas por 56%. O comprometimento dos rins também não está entre os temores mais frequentes. Ele foi destacado por, somente, 55% dos participantes e 72% dos diabéticos, especificamente. Quando questionados sobre o maior medo em relação ao diabetes, apenas 6% pontuaram “ter alguma doença renal”; 3%%, “ter alguma doença cardíaca”; e 21%, “morrer”. A maioria teme a amputação de algum membro (32%) e ficar cego (32%).

Até 40% dos indivíduos com diabetes desenvolvem problemas nos rins, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Além disso, esses pacientes apresentam um risco de duas a quatro vezes maior de morrer devido a uma doença cardiovascular, como infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral). E, para se ter uma ideia, só no estado da Bahia, há registro de mais de 200 mil pessoas com diabetes, sujeitas a tais consequências, segundo o Data SUS.

Prevenção

Para evitar as complicações do diabetes é muito importante que o diagnóstico seja feito no inicio da doença e que o paciente mude o estilo de vida, pontua a endocrinologista Reine Chaves. As pessoas com história de diabetes na família – destacou – devem redobrar a atenção porque a chance de se tornarem diabéticas é maior. As mulheres que desenvolvem diabetes gestacional também têm maior chance de desenvolver diabetes, bem como aquelas com história de bebês de peso excessivo no nascimento e natimortos. Para a população é geral, é muito importante avaliar anualmente a glicemia, principalmente após os 40 anos.

Segundo a diretora do Cedeba, unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), que está apoiando a Campanha Diabetes sem Complicações, “é muito importante conscientizar a população sobre os riscos do diabetes, que aumentam quando o paciente não mantém a doença sob controle. E para o controle é preciso, além da medicação, alimentação saudável e prática de exercício físico.

E a ação da SBD em Salvador, que prossegue nesta quarta-feira, das 7 às 17 horas, foi bem recebida pela população. A analista de Sistemas Simone Miguel, de 41 anos, contou que cuida da alimentação, faz atividade física e mantém o peso sob controle por saber que tem a hereditariedade como fator de risco para diabetes: pai e tia diabéticos. Quem também aprovou a Campanha da SBD foi a recepcionista de uma clínica de Cardiologia do bairro de Nazaré, Jeane Santana, residente no bairro de Vila Canária.” Lá a gente recebe muitos diabéticos com complicações no coração. É muito interessante informar a população sobre saúde”.

A Campanha da SBD tem proposta interativa: as pessoas que passam pela Estação do Metrô são convidadas a montar um quebra – cabeça gigante, que traz dados sobre a prevalência de problemas cardíacos e renais entre os diabéticos, bem como informações sobre prevenção. Também está sendo distribuída uma revistinha com passatempos (caça-palavras, código secreto e dominox) que traz informações objetivas e didáticas sobre diabetes.

Paralelamente, um vídeo e fotos com o casal de artistas Flávia Alessandra e Otaviano Costa – os embaixadores da campanha – estão sendo veiculados nas redes sociais da SBD, juntamente com textos relacionados aos cuidados necessários para evitar o impacto nocivo do diabetes sobre os rins e o coração.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/riscos

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