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É preciso estar atento aos modismos na alimentação

27/09/2016 18:04

Porções iguais de pão branco e pão integral têm a mesma quantidade de carboidratos? Quando a nutricionista Cristiane Pacheco lançou a pergunta hoje, no Grupo Doce Conviver – espaço de educação para os pacientes diabéticos do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) – a discussão foi longa até o convencimento. Ambos têm a mesma quantidade – destacou a nutricionista e, por isso, os diabéticos que optarem pelo pão integral terão que obedecer a porção recomendada pela nutricionista. Isso vale também para o arroz branco e o arroz integral.

Os alimentos integrais – preservam a casquinha, como uma maçã com casca – são mais ricos em fibras, vitaminas e minerais, mas em relação aos carboidratos têm o mesmo valor. E os pacientes com diabetes têm que controlar a quantidade de carboidratos do plano alimentar, já que 100% transformam-se em glicose, enquanto as proteínas (20% ) e as gorduras (10%).

Participação

À medida em que a nutricionista explicava a importância de cada grupo de alimentos, os pacientes participavam ativamente com perguntas (muitas refletem os modismos na alimentação que são veiculadas pelos meios de comunicação) e sugestões sobre preparo de alimentos. O paciente Paulo Jorge de Assis, por exemplo, prefere preparar o pão com farinha integral, leite desnatado, depois de saber que o pão integral em escala comercial, além da mistura com farinha branca, contém até farinha de mesa (à base de mandioca). Mas até chegar ao Cedeba, “eu nada sabia sobre quantidades de alimentos. Agora estou consciente que posso consumir duas fatias”, disse.

Outra dúvida dos pacientes é a tapioca (beiju de goma) que também está na moda. Segundo a nutricionista, quatro colheres de sopa de massa de tapioca têm a mesma quantidade de carboidrato que duas fatias de pão. Logo, o paciente diabético não pode comer tapioca à vontade. O ideal, segundo Cristiane Pacheco – orientação que vale para todas as pessoas – é variar as refeições. No café da manhã, são várias opções: banana da terra, raízes, cuscuz, pão. Mas é muito importante – pontuou – que no café estejam presentes itens dos diferentes grupos de alimentos: uma fruta, um carboidrato, proteínas ( leite, ovos ou queijo.

Quanto ao uso de gorduras, a nutricionista sugeriu o uso de azeite de oliva para acompanhar o pão, explicando que a manteiga é mais natural que a margarina – composição que se aproxima do plástico – mas tem elevado teor de gordura.

“E cuscuz, a gente pode comer”? perguntou uma paciente. A nutricionista respondeu que o paciente diabético pode comer tudo, praticamente, mas nas quantidades definidas no Plano Alimentar. Ela sugeriu o acréscimo de uma colher de aveia na massa de milho, para torná-la mais úmida.

O ovo também gerou muita discussão porque os pacientes trouxeram a informação sobre o consumo ilimitado do alimento, que vem sendo divulgado como prática saudável. A nutricionista repetiu diversas vezes a máxima; “tudo demais é sobra”. Dois ovos por semana são suficientes (devem ser cozidos e nunca, fritos). O consumo de proteínas junto com carboidrato ajuda a retardar a transformação em glicose, porque a digestão de proteína leva de três a quatro horas, enquanto as gorduras de, cinco a seis horas.

A nutricionista mostrou a importância das proteínas (maioria de origem animal), embora haja também proteínas de origem vegetal, representadas pelos grãos (todos os feijões, grão de bico, lentilhas, soja, ervilhas). Mas o preparo das proteínas é muito importante em relação ao uso de gorduras.Nada de fritar os temperos no óleo – qualquer óleo frito torna – se gordura saturada – orienta. O correto – explicou – e levar ao fogo os temperos com água, colocar a proteína, deixando para acrescentar o óleo no final do cozimento. No caso dos peixes, o azeite de dendê, pode ser substituído pelo açafrão (dar o tom amarelo) e azeite de oliva.

Evitar as gorduras saturadas, segundo a nutricionista, é proteger as artérias das placas de gordura. Sua explicação foi bem didática: “Qualquer óleo submetido a altas temperaturas, transforma-se em gordura saturada, quando as moléculas de gordura se unem de tal forma que quem nem o ácido do estômago conseguem quebrá-las. O caminho? a corrente sanguínea, onde a longo prazo formarão placas que obstruem as artérias, que levarão a doenças cardiovasculares.

No Espaço do Doce Conviver o compartilhamento, a troca de saberes é muito importante. Cristiane Pacheco ensinou o preparo de frango no vapor que lhe foi passada por um paciente. Coloca o frango para marinar (cebola, alho,) e depois põe para cozinha no vapor acrescentando canela, açafrão e urucum.

Planejar é preciso

Para uma alimentação saudável planejamento é essencial, segundo a nutricionista do Cedeba. Desde o momento das compras, seguindo com a preparação das refeições. “Como vai ser o meu café? E o meu almoço?” são perguntas que devem ser feitas. Se o paciente tem compromisso fora de casa, deve levar o lanche para evitar consumir alimentos preparados na rua.

Os pacientes que seguem o Plano Alimentar que contém as listas de substituições, saberão usar os alimentos de forma inteligente, segundo Cristiane Pacheco. E alimentação saudável -destacou -deve ser uma preocupação de todos, na busca da prevenção de doenças crônicas e mais saúde.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/conviver

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