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Saúde financeira passa pelo controle das compras por impulso

29/09/2016 14:25

Não gastar de forma irracional, não se deixando levar pelo impulso é muito importante para a busca do equilíbrio do orçamento doméstico, como destacou o superintendente do Conselho Regional de Economia (Corecon), economista Bruno Pires Sacramento, na palestra que fez para o servidores do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB).

Na palestra sobre “Orçamento Doméstico”, que integra do Projeto Saúde Financeiro do Cedeba, por meio do Setor de Recursos Humanos, pelo segundo ano consecutivo, o palestrante, de forma bem didática observou que há pessoas que ganham pouco, mas conseguem manter o equilíbrio do orçamento, enquanto muita gente que tem renda elevada , gastando além da sua capacidade, fica em situação difícil, com o acúmulo de dívidas.

A escolha

De acordo com o economista, as pessoas têm a oportunidade de agir como gastadores, poupadores ou investidores. “Poupar é a melhor opção por permitir a concretização de sonhos como uma viagem, a troca do carro, do televisor. Mas quem não costuma poupar, poderá fazê – lo com mudanças de hábitos, começando a não comprar sem necessidade” , orientou. Ele citou o caso das mulheres que não resistem a comprar sapatos, mesmo que tenham mais de dez pares no armário.

Bruno Sacramento explicou que se uma pessoa ganha R$2 mil/mês, ela não pode gastar tudo o que recebe. E pior ainda: incorporar o cheque especial, como se fosse o salário. É importante – disse – fazer ajustes no orçamento, cortando gastos supérfluos para poupar 10% do que se ganha. “Quem poupa, pode comprar melhor, porque gastar bem é comprar melhor o que o dinheiro pode comprar”. Ao comprar à vista, o consumidor tem o poder de barganhar e conseguir descontos. “Gastar – pontuou – não é comprar tudo. É comprar barganhando. Comprar exige postura.”

Quem poupa, como analisou o economista, tem mais oportunidades de ganhar. Ele fez um questionamento: “se dinheiro atrai dinheiro, se estivermos sempre sem este o que iremos atrair?” Mas é preciso muito esforço para evitar gastar além da conta, porque o modelo capitalista, que diariamente lança novos produtos nos induz a seguir pelo mesmo caminho da busca do novo modelo, seja do celular, do carro, do televisor.

A chave – destaca o superintendente do Coren – está no equilíbrio. “Nem 8, nem 80. Gastar tudo no presente, sem pensar no futuro, como se não houvesse o amanhã. Ou então, pensar apenar no futuro, esquecendo o presente, não vivendo bem nem o presente, nem o futuro são comportamentos extremos. O ideal – é gastar racionalmente no presente, mas poupando para o futuro.

Uma atitude que aponta para o desequilíbrio é desperdiçar a saúde para fazer dinheiro – pessoas que trabalham excessivamente – e ter que gastar dinheiro para restaurar a saúde. Outro exemplo: economizar e juntar como se nunca fosse morrer e morrer como se nunca tivesse vivido. Logo, segundo o economista, prosperidade pode ser uma questão de escolhas a atitudes.

As dívidas

Quem gasta além da conta, termina mergulhando em dívidas. “É bom lembrar que dívidas têm custos e os custos aumentam as dívidas, como explicou o economista. E quanto maiores as dívidas, maiores serão os custos. Quem não tem dívidas, não arca com os custos, sobra mais dinheiro. E quando sobra mais dinheiro, não é preciso contrair dívida. Importante é evitar a primeira dívida. A melhor dívida é aquela que já foi quitada”, explica o presidente do Corecon.

E quem precisa livrar-se de dívidas, deve começar cortando gastos, orientou o palestrante. E a organização faz-se necessária: é preciso iniciar eliminando as dívidas menores, minimizar a diversidade de credores, obter fontes de recursos mais baratos (é o caso do empréstimo consignado que pode pagar a dívida do cartão de crédito ou do cheque especial), enfrentar a situação de cabeça erguida, livrar-se das dívidas mais onerosas, inventar fontes alternativas e manter o controle e disposição para negociar.

O Projeto Saúde Financeira é de natureza educativa e uma prática muito importante para a saúde mental. Com a facilidade de acesso aos bens de consumo, a educação financeira é a busca de alternativas para aprender a administrar o próprio dinheiro, sair da dívida, do endividamento, e também planejar os gastos e economizar. O Projeto Saúde Financeira terá nova no palestra no dia 9 de novembro próximo, quando será abordado o tema “Consumo Consciente : Direitos e Deveres ” ,tendo como palestrante o coordenador administrativo do Procon, Filipe Vieira.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/orçamento

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