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Elevação da auto-estima é o foco da programação do Cedeba para Dia de Prevenção da Obesidade

07/10/2016 22:23

Doença que não pode ser negada, ao contrário de outras patologias crônicas, a obesidade afeta a auto-estima dos pacientes, que se tornam vítimas de brincadeiras de mau gosto e de preconceitos. Com o propósito de fortalecer a auto-estima dos pacientes, o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) elaborou a programação que será desenvolvida no dia 20 de outubro (pela manhã) no auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS) para marcar o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade (11 de outubro).

Os pacientes com obesidade que contam com a assistência da equipe multidisciplinar do Núcleo de Obesidade (endocrinologista, assistente social, psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta) terão, no dia 20 de outubro, oficinas de turbantes, maquiagem, Reiki, Reflexologia podal. Um desfile de Moda, Plus Size (tamanho grande) com a participação de oito pacientes, às 11 horas encerrará a comemoração.

A programação será iniciada com a palestra da assistente social do Cedeba, Glaucia Loyola sobre Direitos e Garantias do paciente com obesidade. O tema também será abordado pela paciente do Cedeba Joseane Brasil, que estuda Serviço Social. Segundo a psicóloga Michelle Vieira, além do fortalecimento da auto-estima, a programação também foca o empoderamento das pessoas com obesidade, com a proposta de ajudá-las a encarar os estereótipos que cercam a obesidade: “o obeso é preguiçoso, é gordo porque quer, é feio, não tem força de vontade para perder peso”.

Preconceitos

É preciso que a sociedade mude o olhar de preconceito que manifesta sobre o paciente como obesidade, defende a nutricionista do Núcleo de Obesidade do Cedeba, Lorenna Fracalossi, ao analisar os efeitos da doença que cresce em todo o mundo. De acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE em agosto de 2015, 24,4% das mulheres e 16,8% dos homens Brasileiros são portadores de obesidade (Índice de Massa Corporal – IMC maior que 30). Esta mesma fonte revela também que 15% das crianças entre 5 e 9 anos estão obesas. Além de aumentar a mortalidade, a obesidade pode acarretar inúmeras outras doenças, tais como: diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, aumento de gorduras no sangue, problemas articulares, alguns tipos de câncer, apnéia do sono.

A coodenadora do Núcleo de Obesidade do Cedeba, endocrinologista Teresa Arruti, explica que a obesidade é fator de risco para outras doenças: enfarte, diabetes, hipertensão, doenças das articulações. “Quando o paciente controla a obesidade, reduz o risco dessas doenças”. O tratamento da obesidade – não há cura por ser uma doença crônica – segundo a especialista passa por mudança no estilo de vida que inclui, além de alimentação saudável, práticas regulares de exercícios físicos.

Segundo Teresa Arruti “temos no Cedeba pacientes que conseguiram reduzir até mais de 30 quilos com tratamento ambulatórial, mas temos também casos de pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica, perderam peso, mas voltaram a engordar”.

Estilo de Vida

Segundo a Associação Brasiliera para o Estudo da Obesidade e da Sindrome Metabólica (ABESO)a principal causa para este aumento na prevalência da obesidade é a mudança do estilo de vida propiciado pela vida moderna. Em primeiro lugar, diminuição de atividade física. Apesar do aumento do número de academias de ginástica, ciclovias, parques, poucas são as pessoas que fazem exercícios regularmente (atividade física programada).

Por outro lado, houve uma diminuição enorme das atividades do dia a dia (atividade física não programada): meios de transporte motorizados, escadas e esteiras rolantes, lavadoras de roupa e louça, controle remoto, telefones sem fio, etc. Em segundo lugar, a fartura de alimentos processados, industrializados, semi-prontos, baratos, saborosos, em porções exageradas, ricos em energia e altamente calóricos. O objetivo de qualquer indústria é vender e a de alimentos não foge a esta regra. Açúcar, gorduras e sal, tornam os alimentos mais saborosos e por esta razão a quantidade destes ingredientes nos alimentos industrializados é cada vez maior. Além de eventuais danos para a saúde, estes alimentos contribuem em muito para a obesidade.

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo poderia chegar a 75 milhões, caso nada seja feito.

No Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais. Alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade. Entre crianças, estaria em torno de 15%.

Dia Nacional da Prevenção

No Brasil a Lei nº 11.721, assinada em junho de 2008, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oficializou 11 de outubro , Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. A data havia sido criada, há dez anos, pela Federação Latino-Americana de Obesidade, porém reconhecida, em 1999, pelo Governo Federal e instituída no Brasil, na época, com o nome de Dia Nacional de Combate à Obesidade.

Ascom Cedeba

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