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Pacientes do Cedeba aprendem que obesidade não tem cura, mas tem controle

11/10/2016 17:39

A sobra de peles da cirurgia bariátrica não incomoda tanto como o excesso de peso, quando Wanderlã Ferreira, 40 anos, com 1,69 de altura tinha 197 quilos. Ao fazer a cirurgia, há um ano, estava com 170 quilos graças ao trabalho da equipe multidisciplinar do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). Agora, com 114 quilos, continua seguindo as orientações da equipe especializada porque ainda precisa perder peso. Hoje, antes de ser atendido pela nutricionista Lorenna Fracalossi passou sua mensagem para o Dia Nacional de Prevenção de Obesidade: “a obesidade não tem cura, daí ser muito importante manter o controle”.

A história de Wanderlã Ferreira foge um pouco da maioria dos casos de obesidade que vão se agravando ao longo da vida, muitos desde a infância. Não era magro, mas não era obeso. Aos 30 anos, sofreu acidente de moto que o deixou longe da prática de esportes, condição que “me estimulou a abrir a boca”, diz. O excesso de peso, como é comum, lhe rendia muitos apelidos e brincadeiras de mau gosto, mas ele não dava importância.

Casado, dois filhos, Wanderlã, residente em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, trabalha como vigilante e faz fretes. Reconhece que mesmo sendo jovem, o excesso de peso tornava sua vida mais difícil, enquanto agora está bem mais fácil trabalhar. No momento, sua preocupação é fazer uma cirurgia da perna, causada pro problema circulatório, para, em seguida, cuidar da cirurgia plástica.

Desde criança

Ao contrario de Wanderlã, Eurídece Soares de Oliveira, 36 anos, convive com a obesidade desde criança, mas o maior ganho de peso começou aos 20 anos, quando retornou do Rio de Janeiro para a Bahia – mora na Cidade de Valença, na Região do Baixo Sul. Conta que ganhou 20 quilos em três meses, passando de 70 para 90 quilos. Com 1,56 de altura, pesa 120 quilos, tendo chegado a 128 há nove anos, durante a gravidez.

O excesso de peso já começa a causar problemas de saúde para a jovem, principalmente dores nas articulações do joelho. Ela tem consciência da necessidade de perder peso e “que a obesidade sendo doença crônica, não tem cura”. Ela está muito satisfeita com o atendimento que vem recebendo no Núcleo de Obesidade do Cedeba e diz estar disposta a seguir as orientações da equipe multidisciplinar, e mudar o estilo de vida, na tentativa de perder peso. “Cirurgia bariátrica só no último caso”, diz.

Já Roberto Mota, 51 anos, com 139 quilos e 1,92 de altura, nem aparenta ser muito gordo, mas sonha com a cirurgia bariátrica, porque o excesso de peso está associado a outras comorbidades: hipertensão arterial e problemas de coluna. Conta que ficou gordo em razão de um tratamento dermatológico que o levou a ganhar 28 quilos. E de dez anos para cá, engorda,emagrece, volta a engordar. Vive o “efeito sanfona”.

Autoestima

O Cedeba marcará Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, que transcorre hoje (11), no próximo dia 20 de outubro (pela manhã) no auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS). A programação está focada no fortalecimento da auto-estima dos pacientes. Serão realizadas oficinas de turbantes, maquiagem, Reiki, Reflexologia podal. Um desfile de Moda Plus Size (tamanho grande) com a participação de oito pacientes, às 11 horas, encerrará a comemoração.

A programação será iniciada com a palestra da assistente social do Cedeba, Glaucia Loyola sobre Direitos e Garantias do paciente com obesidade. O tema também será abordado pela paciente do Cedeba Joseane Brasil, que estuda Serviço Social. Segundo a psicóloga Michelle Vieira, além do fortalecimento da auto-estima, a programação também foca o empoderamento das pessoas com obesidade, com a proposta de ajudá-las a encarar os estereótipos que cercam a obesidade: “o obeso é preguiçoso, é gordo porque quer, é feio, não tem força de vontade para perder peso”.

É preciso que a sociedade mude o olhar de preconceito que manifesta sobre o paciente como obesidade, defende a nutricionista do Núcleo de Obesidade do Cedeba, Lorenna Fracalossi, ao analisar os efeitos da doença que cresce em todo o mundo.

Cuidar da obesidade, segundo analisa a coordenadora do Núcleo de Obesidade do Cedeba, a endocrinologista Teresa Arruti, é muito importante porque a doença é fator de risco para outras doenças crônicas: hipertensão arterial, diabetes e doenças nas articulações, principalmente.

Ascom Cedeba
Cedeba/dia prevenção obesidade

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