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Bahia terá fábrica de medicamentos para Anemia Falciforme

27/10/2016 17:51

No Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme, celebrado em 27 de outubro, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) traz uma boa notícia para os portadores da doença: tem início em 2017, no município de Vitória da Conquista, a construção da fábrica de medicamentos para o tratamento de tumores (tamoxifeno e capecitabina) e da doença falciforme (hidroxiuréia).

De acordo com o secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, a produção começa em 2018 e atenderá a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) de todo o País. “Atualmente, temos um problema de desabastecimento nacional e o único laboratório produtor, que é estrangeiro, informa que a importação do medicamento da Europa sofre oscilações em virtude da falta de matéria-prima. E nesse sentido, não podemos deixar de atender os cerca de 30 mil baianos que têm anemia falciforme”, afirma o secretário.

A implantação da subsidiária da Bahiafarma no interior baiano é a solução definitiva para regularizar o fornecimento da hidroxiuréia no Brasil e o projeto foi desenhado em parceria com o laboratório Cristália. De acordo com o diretor-presidente do laboratório baiano, Ronaldo Dias, também está prevista a exportação desses medicamentos para a América Latina e estima-se que sejam criados 300 postos de trabalho diretos na unidade.

“Além de representar a ampliação dessa indústria no Estado, a produção desses medicamentos vai significar, para o SUS, sensível redução de custos para sua aquisição”, ressalta Ronaldo Dias.

De acordo com o executivo, a hidroxiureia foi introduzida na lista de medicamentos estratégicos na ultima reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (Gecis), o que o coloca como potencial participante do sistema de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) – acordos de transferência de tecnologia entre laboratórios privados e públicos – e o qualifica para compra centralizada por parte do Ministério da Saúde. A Bahiafarma pleiteia que os outros dois medicamentos passem a integrar a lista de medicamentos estratégicos.

Anemia falciforme

A Anemia Falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no mundo. Fora do continente africano, a Bahia é o local com maior número de portadores de anemia falciforme. Estima-se que a cada 650 bebês nascidos vivos, um possui a doença.

Sua principal característica é a alteração das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue). Essas células alteradas tomam a forma de foice (daí o nome falciforme) e não circulam facilmente pelos vasos sanguíneos. Esse bloqueio na circulação impede a chegada do oxigênio aos tecidos, o que desencadeia uma série de sintomas. As pessoas com doença falciforme podem apresentar anemia crônica e episódios frequentes de dor severa, decorrentes da má circulação.

Atualmente o ambulatório da Fundação Hemoba, principal serviço de referência do estado no atendimento de pacientes com a doença falciforme, tem 4.673 pacientes cadastrados de mais de 280 municípios. O SUS oferece medicamentos essenciais para o tratamento dos pacientes, tais como, ácido fólico, penicilina, hidroxiuréia e deferasirox.

Ascom/Sesab
Anemia Falciforme/dia

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