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Controle do diabetes é fundamental para a prevenção da retinopatia

04/11/2016 13:40

A retinopatia diabética (RD) está instalada, mas o paciente pode apresentar boa acuidade visual, porque a doença é silenciosa. Uma das principais complicações do Diabetes Mellitus (DM), a RD é a maior causa de perda visual irreversível e previsível em pacientes em idade laborativa (entre 20 e 74 anos) em todo o mundo.

Esse risco pode ser reduzido a menos de 5% quando o diagnóstico é feito em tempo adequado e o tratamento realizado corretamente pelo especialista em retina. As informações são da líder do Serviço de Oftalmologia do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), a oftalmologista especialista em retina, Tessa Mattos.

Foi com o olhar na prevenção, que passa pelo reforço da conscientização dos pacientes, que a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia/Cedeba adotou este ano “Seus Olhos e o Diabetes” como tema para o Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro. A conscientização sobre a necessidade de controle da glicemia é muito importante para prevenir a retinopatia diabética, uma das complicações mais temidas, devido ao risco da perda da visão.

Avaliação da visão

O controle glicêmico e o tempo de duração do diabetes são os dois fatores mais importantes relacionados ao desenvolvimento e a gravidade da RD, como explica a líder do Serviço de Oftalmologia do Cedeba. “Após 15 anos de diabetes, 60% dos pacientes com DM2 (diabetes tipo 2) e 90% de DM1 (diabetes tipo 1, que se manifesta na infância e no jovem) apresentam algum grau de retinopatia. Outros fatores como hipertensão arterial sistêmica, obesidade, dislipidemia, gravidez e nefropatia, podem, de alguma forma, influenciar o aparecimento ou o curso natural dessa complicação, segundo a especialista.

O diagnóstico da RD é feito através do exame de fundo de olho e a principal causa da baixa visão é o edema macular diabético, pontua a oftalmologista. O acompanhamento oftalmológico do paciente – acrescenta – deve ser programado e rigorosamente cumprido, a fim de que a retinopatia seja tratada no tempo adequado e antes que surjam sequelas irreversíveis. Os diabéticos tipo 1 devem iniciar o acompanhamento após a puberdade ou com cinco anos de doença e os diabéticos tipo 2, no momento do diagnóstico da doença. O intervalo entre os exames oftalmológicos deve ser anual, podendo ser menor, a depender do grau da retinopatia. Nunca em intervalos maiores.

Apesar de inúmeros avanços no tratamento nos últimos anos, a forma mais eficaz de se evitar a cegueira pelo diabetes – ratifica a especialista em Retina – ainda é o bom controle sistêmico da doença e de suas co-morbidades, o que resulta em menor índice de acometimento ocular, além das manifestações da retinopatia diabética serem mais brandas.

Sinal de alerta

Além da retinopatia, o diabetes também é fator de risco para a catarata (reversível com cirurgia se a retina estiver preservada) e o glaucoma, explica Tessa Mattos. Em muitos casos, o paciente tem o diagnóstico do diabetes a partir de problema na visão, caracterizado por forte turvação, que é superada com a volta da glicemia ao nível normal.

Quando o paciente diabético faz exame para verificação do grau para os óculos, precisa apresentar exame recente de glicemia. Isso porque – explica a especialista em Retina – glicemia maior que 150 pode alterar o grau dos óculos.

Na programação do Dia Mundial do Diabetes, no Cedeba, de 16 a 18 de novembro, será realizada avaliação de olhos para identificação da pressão ocular e rastreamento da alteração de retina, sob a responsabilidade das oftalmologistas Tessa Mattos e Lia Aguiar. Nos corredores do Cedeba serão realizadas atividades educativas, por meio de Rodas de Conversa, com a participação de estagiárias do Cedeba e estudantes da Liga Bahiana de Endocrinologia.

Crescimento

Segundo a oftalmologista, a RD é uma preocupação, porque a diabetes, que afeta cerca de 3 a 7% da população brasileira, tende a crescer com o aumento da expectativa de vida da população. É preciso – pontuou – que o paciente tenha o conhecimento sobre a doença, pois, o tratamento é multidisciplinar e envolve mudança nos hábitos de vida: suspender o fumo, plano alimentar adequado, atividade física e medicação. O profissional de saúde é o vínculo do conhecimento e a educação é fundamental para que os pacientes mantenham a doença sob controle, visto que 76% dos pacientes diabéticos no Brasil, atualmente, estão mal controlados.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/retina

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