Notícias /

Diabéticos representam 80% da demanda de próteses de membros inferiores no Cepred

08/11/2016 17:21

As histórias dos pacientes que se submeteram a amputações como conseqüência do diabetes são muito similares: o diabetes sem controle, como resultado dos hábitos de vida – alimentação não-saudável, uso do álcool e do fumo e falta de atividade física. Por isso, é muito importante cuidar da prevenção do pé diabético, complicação da doença que representa a principal causa de amputações de membros inferiores, superando os acidentes, como destaca a coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Graça Velanes.

Na programação que o Cedeba desenvolverá com seus pacientes, de 16 a 18 de novembro, dentro da programação do Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro), haverá avaliação dos pés, com vistas ao rastreamento de redução ou perda de sensibilidade protetora plantar, sinalizador de ulcerações, atividade que terá como responsáveis médicos e enfermeiros. Nos pacientes diabéticos, a incidência de ulceração é de 25%, em razão do pé diabético (definido como infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos moles associados a alterações neurológicas e a vários graus de doença arterial periférica nos membros inferiores). E 85% das úlceras precedem as amputações, caracterizando importante problema de saúde pública.

A reabilitação

Uma das principais complicações do diabetes sem controle, o pé diabético responde por 40 a 60% das amputações não – traumáticas. Quando os pacientes diabéticos sofrem amputações são encaminhados para o Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação de Deficiências (Cepred), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). A demanda por próteses no Cepred reflete o número de amputações tendo como causa o pé diabético. O Cepred trabalha com a reabilitação de pessoas que sofreram amputações por doenças diversas, por traumas, mas os diabéticos são quase 80%.Vem gente de toda a Bahia e até de estados vizinhos do Nordeste. E como explicou Graça Velanes, muitos pacientes só descobrem o diabetes quando a doença já apresenta as complicações, como o pé diabético.

No Cepred, o paciente conta com uma equipe multidisciplinar que o assiste, para reabilitá-lo para a vida. O tempo para o paciente se adaptar ao uso da prótese varia em função da idade e também do seu estado emocional, daí a importância do acompanhamento da equipe, que conta com médico, enfermeiro, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo e nutricionista, como explica a fisioterapeuta Rosarly Menezes.

Há pacientes em que o desejo de retomar suas atividades é tão intenso que a reabilitação acontece de forma que surpreende, como está acontecendo com o técnico de segurança aposentado, Paulo José Sampaio da Nova, 61 anos, que sofreu amputação do pé há sete meses, mas já consegue andar sem o uso de muletas, com a prótese (transtibial) . Seu sonho é voltar a velejar, atividade que adora. Paulo teve diagnóstico de diabetes aos 40 anos, durante exame periódico, trabalhando no Pólo Petroquímico de Camaçari. Mas relata que mesmo com o diagnóstico, continuou bebendo e comendo tudo sem controle. Primeiro – contou – foi a amputação do dedo do pé, mas ainda assim continuei sem me cuidar”.

Paulo José disse que a amputação “me fez acordar para a vida.” Por isso, sua mensagem para os pacientes diabéticos tem como foco a aceitação: “é preciso aceitar a doença e saber que existe outra vida. E mais: há muitas doenças mais graves que o diabetes. O importante é aprender a conviver com o diabetes para evitar as complicações”, disse.

Treinando

Aos 72 anos, José da Silva, que atuou como industrial de calçados em Salvador, na juventude, está sendo preparado no Cepred para usar a prótese (transtibial), depois que sofreu amputação. Ainda está na terceira sessão, um trabalho que exige muito cuidado e paciência. Depois do treino, ele volta para casa com o coto enfaixado, cuidado necessário para a modelação e redução do edema do local que apóia a prótese, como explica Rosarly Menezes.

José da Silva, diabético há mais de 30 anos, “nunca se cuidou”. Fumava três maços de cigarro por dia, bebia e comia sem controle, como conta sua irmã, Ieda Regina da Silva, 62 anos, também diabética (a mãe deles também era diabética). Depois da amputação, há um ano, o paciente passou a aceitar os cuidados, principalmente na alimentação, e a glicemia que chegava a 450/500, hoje se mantém entre 80/90.

Jorge Santos Cruz, 59 anos, também sofreu amputação há dois anos. E foi a partir de um ferimento no pé que não cicatrizou que ele recebeu o diagnóstico de diabetes. Técnico de Administração aposentado, avalia que “a prótese está sendo muito importante, porque voltei a poder andar, a fazer as coisas”. Mas- prossegue – foi um longo caminho. Por isso, minha mensagem para os diabéticos: “cuidem-se para evitar problemas”.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/pédiabético

Notícias relacionadas