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Diabetes bem controlado garante vida com qualidade

11/11/2016 17:57

Vaidosa como a maioria das jovens, Jaqueline Oliveira Santos, 24 anos, trabalha no setor de montagem de calçados em Santo Estevão, município baiano, onde mora, a 155 km de Salvador. Noiva, está esperando concluir a construção da casa para realizar o sonho do casamento e ter filhos. O diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1(DM1), há seis anos, não impede a jovem de levar uma vida normal, mas ela tem consciência da necessidade de se cuidar para evitar as complicações da doença que reduzem a qualidade de vida.

Hoje, como faz a cada três meses, Jaqueline foi atendida no Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) pela médica residente endocrinologista Cynara Tolentino, que incluiu na avaliação o teste do monofilamento nos pés da paciente, muito importante para avaliar a sensibilidade. Jaqueline é saudável e credita o seu sucesso ao acompanhamento multidisciplinar que recebe no Cedeba. Ela tem consciência que diabetes sem controle pode levar à cegueira, além de causar complicações nos pés e até evoluírem para a amputação.

Prevenir as complicações

É, exatamente, para conscientizar a população sobre a importância da prevenção das complicações do diabetes e, também, alertar para o alarmante crescimento da doença no mundo, que o planeta se mobiliza na próxima segunda-feira, 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, data definida pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), entidade vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1991.

Segundo a médica Cynara Tolentino, no diabetes tipo 1 há manifestação auto-imune que exige uso de insulina, durante toda a vida, porque o pâncreas deixa de produzir o hormônio (surge principalmente na adolescência e adulto jovem). Se o paciente mantiver a doença sob controle, ele chegará aos 40 anos com mais saúde do que uma pessoa sem diabetes que não tenha vida saudável, que abuse de fumo e álcool, que não durma bem, não faça exercício físico e não tenha alimentação saudável.

O grande desafio, pontua a endocrinologista Flávia Resedá, coordenadora técnica do Cedeba, é adesão do paciente ao tratamento. Para os jovens e adolescentes essa dificuldade é maior. Essa realidade leva o Cedeba a atuar fortemente na educação dos pacientes com o foco no auto-cuidado, que conta com grupos que desenvolvem trabalhos de educação em diabetes, ação que contempla diabéticos de todas as faixas etárias, incluindo as crianças.

Já o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) – explica Cynara Tolentino – não se manifesta de forma abrupta como o DM1. Por isso muitos pacientes só têm o diagnóstico quando já apresentam algumas problemas de saúde como hipertensão, obesidade e até complicações decorrentes do diabetes

Como diagnosticar

O diabetes é considerado hoje pandemia. Segundo explicou a coordenadora de Educação e Apoio à Rede (Coda) do Cedeba, Graça Velanes, duas glicemias de jejum, em dias diferentes, maior que 126 já comprovam o diabetes. Na glicemia maior que 100 e menor que 126 o paciente deve fazer o teste de intolerância à glicose. Se o resultado for igual o maior que 200 ,também o diabetes estará confirmado.

Segundo Graça Velanes é preciso atenção para sintomas que podem indicar o diabetes: fungos, vulvovaginites, perda de peso, visão borrada, hipertensão arterial. Os pacientes obesos devem redobrar a atenção, porque a obesidade é um dos fatores de risco para o DM2.

Programação

Na programação do Cedeba para o Dia Mundial, de 16 a 18 de novembro, as ações focarão o cuidados com os olhos (a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira no mundo) e os exames dos pés dos pacientes, já que o pé diabético é a principal causa de amputação não-traumática.

Pela manha e à tarde, haverá, de quarta a sexta-feira avaliação de olhos para identificação da pressão ocular e rastreamento da alteração de retina, sob a responsabilidade das oftalmologistas Tessa Mattos e Lia Aguiar.

Nos corredores do Cedeba serão realizadas atividades educativas por meio de rodas de conversa, com a participação de estagiárias e estudantes da Liga Bahiana de Endocrinologia.

Também haverá avaliação dos pés, para o rastreamento de redução ou perda de sensibilidade protetora plantar, sinalizador de ulcerações, atividade que terá como responsáveis médicos e enfermeiros.

Ascom Cedeba
Cedeba/dia

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