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Encontro discutiu a assistência religiosa nas unidades de saúde

23/11/2016 20:47

Sistematizar e tornar a assistência religiosa uma atividade mais “visível” nas unidades de saúde da rede estadual. Para Simone Costa, do Hospital Couto Maia, este deverá ser o principal resultado da portaria estadual nº 880/2014, que regulamenta a assistência religiosa nas unidades da rede própria da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), e que foi o foco do Encontro para Implementação do Combate ao Racismo Institucional (PCRI), realizado essa manhã, no auditório do Ministério Público do Estado da Bahia (MPE), numa iniciativa da Sesab, por meio da Diretoria de Gestão do Cuidado (DGC), em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).

Durante a instalação do evento, que reuniu representantes de diversas matizes religiosas, o diretor do Hospital Geral de Camaçari, José Walter Júnior, classificou como “muito importante” a discussão sobre a assistência religiosa das unidades de saúde, onde a diversidade religiosa é grande. “Quem vai a um hospital, tem algum problema de saúde e precisa de ajuda espiritual”, disse José Walter, acrescentando que é fundamental que os pacientes tenham conforto espiritual, independente de sua religião.

A promotora Márcia Regina Teixeira, coordenadora do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MPE, lembrou que há uma recomendação do Ministério Público para que hospitais e demais unidades de saúde garantam a assistência religiosa aos pacientes internados, daí a importância da iniciativa da Sesab de regulamentar e implementar a portaria 880/2014.

Ainda durante a abertura do encontro, a diretora de Gestão do Cuidado da Sesab, Liliane Mascarenhas, explicou que “esse é um processo em construção, que busca romper o racismo institucional como um todo, e o direito à assistência religiosa é foco importante nesse processo”, enquanto o diretor de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Bruno Guimarães, enfatizou que falar sobre religiosidade e racismo é importante, “principalmente quando estamos vivendo tempos de intolerância”.

Experiências

O processo de construção coletiva da assistência religiosa em unidades hospitalares no estado da Bahia foi o tema da primeira mesa redonda do encontro, com a participação de representantes da Sesab, da Igreja Católica, do Centro Cultural Islâmico da Bahia, da Mansão do Caminho e dos Terreiros Ilê Abassá de Ogum e Unzó Tatêto Lembá. Em seguida, foram apresentadas as experiências dos hospitais Juliano Moreira, Couto Maia e Ana Nery na implementação da assistência religiosa.

Segundo o médico Fernando Faila, do Hospital Juliano Moreira, a unidade está no momento inicial do processo de implementação da assistência religiosa e, em se tratando de um hospital psiquiátrico, existe uma preocupação muito grande. “Acho importante as pessoas terem a opção de assistência religiosa, mas penso que é necessário observar até que ponto pode interferir na assistência clínica aos pacientes, que são portadores de algum transtorno mental”.

Ainda conforme Faila, no caso dessa clientela, o médico deve avaliar de forma bastante criteriosa se o momento é oportuno ou não para a assistência religiosa. No caso do Juliano Moreira, o médico disse estão sendo feitas diversas discussões sobre o assunto, inclusive no que se refere à não existência de um local adequado para essa prática, o que se constitui em mais uma preocupação. “Acho importante discutir não só a questão da religiosidade, mas toda a questão do racismo institucional”, reforçou Faila.

No caso do Hospital Couto Maia, Simone Costa pontuou que já foi elaborado um fluxo para assegurar a assistência religiosa aos pacientes, e que vão ser convidados religiosos das diferentes crenças para discutir e dar início ao processo. De acordo com a representante do Couto Maia, já era freqüente a presença de representante da igreja católica (padre) na unidade e que existe uma demanda por outras religiões. “Com a regulamentação da portaria, vai ser possível identificar melhor essa demanda, legitimando a assistência religiosa, independentemente do credo”, concluiu.

A.G. Mtb 696/Ba
Saúde da População Negra/religiosidade

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