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Hospital Especializado Lopes Rodrigues comemora a saída de 21 pacientes/moradores

27/12/2016 12:06

O Hospital Especializado Lopes Rodrigues, situado em Feira de Santana, encerra as atividades de 2016 com a desinstitucionalização de 21 pessoas, que tiveram a oportunidade de retornar para suas famílias, inclusive em outros Estados como Pará, Minas Gerais e São Paulo, ou para Serviços de Residências Terapêuticas (SRT) implantados na Bahia.

A Reforma Psiquiátrica, na Bahia, começa a surgir de forma mais concreta com a expansão da Rede de Atenção Psicossocial, que prevê o cuidado em liberdade para pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, além da implementação do processo de desinstitucionalização nos hospitais psiquiátricos.

O SRT funciona como moradias dentro da cidade, visando a reinserção social de pessoas com transtornos mentais, com histórico de internação prolongada e que perderam todo o contato com a família e a sociedade. Esse processo consiste na retirada de uma pessoa da condição permanente de interno em uma instituição psiquiátrica.

Segundo a diretora do Lopes Rodrigues, Iraci Leite, este avanço é fruto do esforço e dedicação dos profissionais das diferentes áreas da “Equipe Desinsti”, da Diretoria de Gestão do Cuidado e da Área Técnica de Saúde Mental, através de diálogo com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), pactuação junto aos municípios baianos para a implantação dos Serviços de Residência Terapêutica (SRT), instituídos pelo Ministério da Saúde como parte da Política de Saúde Mental.

“Esse é um procedimento ímpar, onde todos os servidores estão envolvidos. É um trabalho árduo. O primeiro passo deste processo é o querer sair por parte do morador, que sempre é respeitado. Depois, ele é preparado para a reinserção à sociedade, considerando que muitos passaram a maior parte da vida privados de liberdade e perderam o referencial do mundo fora da instituição”, explica a diretora do HELR.

Esse processo se dá em várias etapas, desde a escolha de moradores, investimento clínico nos mesmos, tendo em vista o resgate desses indivíduos, à realização de assembléias e atendimentos individuais, até a realização de atividades externas que visam maior reaproximação das pessoas com o cotidiano da cidade. Também são realizadas reuniões com as equipes de referência do CAPS, para discussão do cuidado dos novos moradores. O trabalho com familiares se dá de forma responsável, ao aproximá-los do usuário que se encontra na instituição, pontua a gerente da comissão de Desinstitucionalização, Denise Nunes.

Vale salientar que nesse processo, o hospital conta também com o apoio da Superintendência de Atenção Integral à Saúde (SAIS), que não mede esforços na efetivação do mesmo, viabilizando, inclusive, passagens aéreas para reinserção sócio-comunitária de pessoas com referência familiar em outros Estados.

Permanecem ainda no Lopes Rodrigues 91 pessoas, que atualmente são moradoras, aguardam o retorno para sociedade. Para 2017, a direção da unidade espera dar continuidade ao processo de Reforma Psiquiátrica, que ocorre em âmbito nacional, para que o país se torne uma sociedade sem manicômios, promovendo o direito à liberdade, dignidade e cidadania de pessoas com transtornos mentais e necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas.

Fonte: Hospital Lopes Rodrigues
Lopes Rodrigues/balanço