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Paciente do Cedeba eliminou 45 quilos em seis meses mudando estilo de vida

09/02/2017 18:05

Um vídeo com a música “Vatapá”, de Dorival Caymmi, receita cantada da iguaria baiana, animou os pacientes com obesidade. Eles cantaram, dançaram e aprovaram o recurso didático que a nutricionista Lorena Fracallossi usou, ao abordar o tema “Cultura Alimentar”, na sequência da exposição da endocrinologista Thaisa Trujilho sobre “A Obesidade e seu Tratamento”, hoje pela manhã, quando começou, no auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS) o ciclo de palestras do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). A próxima palestra será no dia 16 de março, com o foco no “Plano Alimentar e Digestão/Mastigação e Metabolismo”.

Este ano, o ciclo de palestras traz como novidade o depoimento de pacientes com obesidade. Hoje, o chefe de cozinha Anderson Pereira Veloso, 39 anos, contou sua história de sucesso e foi muito aplaudido. Ele chegou ao Cedeba há seis meses, depois de ficar dois dias sem poder andar por problemas nas articulações. Pesava 166 quilos e enfrentava muitas dificuldades na vida diária.

Chegou como a maioria dos pacientes, focado na cirurgia bariátrica (redução do estômago). Conta que levou a sério o plano alimentar, definido pela nutricionista. Também passou a incluir exercício físico na sua rotina diária, livrando-se de 45 quilos sem cirurgia. E pretende descer para 80 quilos. Ele fez um apelo forte para as pessoas com obesidade: “é preciso parar de se matar”, explicando que a obesidade mata aos poucos.

Segundo Anderson, “o paciente com obesidade precisa ter força de vontade, porque a redução do peso melhora muito a qualidade de vida, tanto em relação a doenças como também os problemas sociais porque é difícil viver com obesidade”. Anderson faz questão de compartilhar sua experiência, como mostrou ao terminar seu depoimento. Passou para os pacientes o contato do grupo que criou no whatsap para discutir obesidade, ensinando receitas e formas de preparo de refeições .

Alimento e cultura

Na palestra sobre Cultura Alimentar, a nutricionista Lorenna Fracalossi destacou que a alimentação, além da função biológica, é também um ato social e cultural. Faz parte da cultura dos povos, variando de país para país, estados e até regiões. No caso da Bahia, estado de grande extensão territorial, os hábitos sofrem influência de vários estados vizinhos.

Segundo Lorenna Fracalossi, se não for proibido por restrições de saúde, mesmo quem está em tratamento de obesidade, não vai deixar de consumir os alimentos que fazem parte da cultura. A ceia de Natal, as iguarias da Semana Santa (caruru, vatapá). Mas o que não pode – orientou – é querer a Semana Santa todas as semanas, nem comer acarajé todos os dias.

A nutricionista mostrou que apesar da forte influência das culturas negra e indígena na alimentação, hoje os fast foods, associados aos refrigerantes, originários da cultura norte-americana (os Estados Unidos lideram no mundo o ranking da obesidade) são consumidos em larga escala pelos brasileiros, contribuindo para aumentar o contingente de pessoas com obesidade.

E o tratamento da obesidade, segundo explicou, passa por mudança de estilo de vida. É preciso comer devagar, prestando atenção no alimento. Sempre que possível fazer as refeições em família, porque este é um momento muito importante de integração, de troca de idéias. A mudança de hábitos alimentares deve começar com as compras. “As pessoas precisam ir mais às feiras, onde há maior abundância de frutas da estação, e os preços são mais acessíveis.

Por que não trocar o biscoito, rico em gorduras hidrogenadas por raízes que são bem mais saudáveis?, perguntou Lorenna Fracalossi. Os alimentos industrializados contém sódio, gorduras e conservantes, daí ser importante evitar os biscoitos, refrigerantes, sucos e leite acondicionados em caixas.

Obesidade e doenças

Os riscos da obesidade para a saúde foram reforçados pela endocrinologista Thaisa Trujilho na palestra “A Obesidade e Seu Tratamento”. São tantos. Dislipidemias (aumento dos níveis de gordura no sangue: triglicérides e colesterol), que provocam obstrução mas artérias e podem levar a Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Enfarte.

Outro problema associado à obesidade é a hipertensão arterial, que apresenta como sintomas: dor de cabeça, tontura, cansaço, enjôos, dores na nuca. Segundo a especialista, a obesidade também afeta o aparelho respiratório, causando falta de ar e apnéia do sono. As articulações também reclamam do excesso de peso, provocando problemas no joelho e tornozelo, principalmente.

É frequente, segundo a endocrinologista, o paciente com obesidade apresentar problemas dermatológicos, como manchas escuras na pele, sinalizando resistência à insulina, etapa anterior ao diabetes. Além de todas as doenças físicas, o paciente com obesidade – observou a palestrante – convive com problemas psico-sociais, porque ele é estigmatizado pela sociedade.

Por ser a obesidade tão complexa, no Cedeba o paciente conta com atendimento da equipe multidisciplinar, formada por médico, nutricionista, enfermeira, psicólogo, assistente social e fisioterapeuta.

O paciente conta com palestras e participa de grupos, ampliando seu conhecimento sobre obesidade, caminho para conscientização sobre a necessidade da mudança de estilo de vida. Mas a maioria dos pacientes chega ao Cedeba, segundo a endocrinologista, acreditando que a cirurgia bariátrica é a solução mágica para vencer a obesidade.

Ascom do Cedeba
Cedeba/obesidade

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