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Paciente com diabetes tem maior risco para tuberculose

07/03/2017 17:32

O paciente com diabetes tem entre duas a três vezes mais chance de ter tuberculose do que a população em geral, além de ter mais dificuldade para responder ao tratamento. A tuberculose dificulta o controle da glicemia e a glicemia elevada, por sua vez, agrava a tuberculose. Essa informação foi destacada hoje na palestra Tuberculose X Diabetes, pelo médico clínico, especialista em Pneumologia pela Escola Nacional de Saúde Pública, Afonso Roberto Batista, durante a primeira sessão de atualização em diabetes deste ano, que o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), promoveu no auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS).

Essa realidade, segundo o especialista, exige que o diagnóstico tanto do diabetes como da tuberculose sejam feitos precocemente. No caso do diabetes, perto de 50% dos pacientes só tem o diagnóstico quando já apresentam complicações e, quanto à tuberculose, quando já está instalada há quatro meses. A preocupação é ainda maior porque tanto os casos de diabetes quanto de tuberculose vêm crescendo

Estudo realizado em 2014 evidenciou que o Brasil ocupava o 16º lugar no ranking dos 22 países com maior número de casos de tuberculose, como registro de 67.966 novos casos, com uma prevalência 33,5 casos por 100 mil habitantes, que varia em diferentes regiões. Na Bahia essa relação era de 30,7/100 mil, um pouco abaixo da média nacional, mas Salvador tinha o dobro da média do estado: 62,7/100 mil.

E os números do diabetes também estão em ascensão em todo o mundo. Em 2013, o diabetes atingia 8,3% da população mundial com 382 milhões de casos. Para 2035, as projeções indicam que a doença atingirá 8,8% da população com 592 mil casos, segundo dados apresentados pelo palestrante.

O crescimento do diabetes está associado ao aumento dos casos de obesidade, industrialização, a crescente urbanização e ao novo estilo de vida da população. Já o aumento da tuberculose está associado ao maior número de pessoas infectadas pelo HIV, pelas multidrogas resistentes e pelo abandono do tratamento, que exige o uso de quatro drogas durante seis a nove meses. Também fatores sociais, como a pobreza, que refletem na baixa qualidade de habitação, alimentação e saneamento contribuem para o aumento da doença. O diabetes aparece em terceiro lugar como fator de risco para a tuberculose depois do HIV e do alcoolismo.

O especialista explicou que, segundo a Organização Mundial de Saúde, 30% da população possui o bacilo de Koch (tuberculose infecção), condição que difere da tuberculose doença, que exige tratamento. No caso do paciente diabético, o Ministério da Saúde recomenda para o teste positivo de PPD (avalia a presença do bacilo de Koch) maior que 5%, o início do tratamento com uma droga, em vez de quatro (usada na tuberculose doença) no prazo de seis a nove meses. E o tratamento do diabetes, na presença da tuberculose, é feito com insulina.

Critérios para atendimento

A exposição do médico Afonso Roberto Batista, que apóia a Coordenação de Atenção Básica, da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, no controle da Tuberculose e Hanseníase, foi antecedida pela exposição dialogada da coordenadora técnica do Cedeba, endocrinologista Flávia Resedá, sobre “Critério de Acompanhamento do Diabetes por Nível de Complexidade na Rede Pública da Bahia

Como Centro de Referência, o atendimento no Cedeba não é realizado por demanda espontânea, mas por encaminhamento das unidades básicas de saúde, que devem observar os critérios de matrícula. Isso, segundo a palestrante, para evitar idas e vindas do paciente.

Os pacientes adultos encaminhados ao Cedeba passam pelo Programa de Atendimento ao Cidadão (PAC). O atendimento com a enfermeira e assistente social avalia os exames, se o paciente preenche os critérios para matrícula. Em caso positivo, é agendada a consulta com o endocrinologista.

No Cedeba são matriculados pacientes com diabetes mellitus tipo 1, gestantes diabéticas ou com diabetes gestacional (mas ao final da gestação, o atendimento passa para a atenção básica); pacientes com diabetes tipo 2 com complicações do diabetes: nefropatia, a partir do estágio 3; pacientes que sofreram Infarto do miocárdio ou angina, com comprovação de eletrocardiograma ou cintilografia miocárdica ou cateterismo, Acidente Vascular Cerebral,(AVC) comprovado por Tomografia computadorizada e relatório médico, e doença vascular periférica (amputação) por isquemias e pé diabético, e pacientes pós transplantes de órgãos.

A obesidade também gera grande demanda no Cedeba. Para a matrícula o paciente deve apresentar IMC entre 35 e 40 e apresentar pelo menos duas das seguintes comorbidades: apnéia do sono, hipertensão arterial sistêmica, diabetes, hérnia discal, hiperlidemias (colesterol total maior que 280 e triglicérides maior que 300).

O Cedeba também faz atendimento de pacientes com disfunção tireoidiana (alterações do T4 e/ou TSH) e pacientes com nódulos de tireóide maiores que um centímetro. E mais: pacientes com doenças nas gônadas e adrenais, doenças hipotalâmicas e hipofisárias bem como doenças osteometabólicas de origem endócrina.

O Serviço infanto Juvenil (SIJU), do Cedeba, atende crianças e adolescentes de 0 a 20 anos com doenças da tireóide, puberdade precoce e atrasada, alta e baixa estatura, ginecomastia, obesidade de origem endócrina e raquitismo.

As sessões de atualização em diabetes têm como público alvo a equipe multidisciplinar (Saúde da Família, Centros de Referência e instituições de ensino superior) da capital do interior. Para participar das sessões de atualização (sempre na primeira terça-feira do mês), não são necessárias inscrições prévias.

Ascom Cedeba
/Cedeba/tuberculose

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