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Calma e paciência: ingredientes fundamentais para mudanças no controle da obesidade

16/03/2017 20:28

“Como qualquer mudança, quem sofre de obesidade, precisa ter paciência e perseverança para construir a mudança que passa pela alimentação saudável e atividade física. Quem ganhou 40 quilos em 20 anos, não vai poder eliminar esse excesso em 20 dias. Apelar para dietas milagrosas, nem pensar, diante dos riscos à saúde, quando limitam as calorias num patamar inferior à necessidade para a sobrevivência do organismo”.

As reflexões foram feitas, na manhã de hoje, pela nutricionista Lorenna Fracalossi, ao abordar o tema “Digestão, Mastigação e Metabolismo/Plano Alimentar”, dando sequência ao ciclo de palestras do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). A próxima palestra, no dia 6 de abril, abordará Imagem Corporal e Atividade Física, com apresentação de psicóloga e fisioterapeuta da equipe multidisciplinar do Cedeba.

Mudar é Preciso

No Cedeba, os pacientes atendidos no Núcleo de Obesidade aprendem a substituir dieta por Plano Alimentar. É individual e elaborado levando em conta a rotina, a realidade socieoeconômica e as preferências do pacientes. Mas o cálculo da quantidade de calorias e a distribuição do Valor Energético Total (VET) pelas seis refeições diárias é feito pela nutricionista, com base no sexo,idade e peso.

Segundo explicou Lorenna Fracalossi, o paciente não precisa contar calorias, tarefa da nutricionista, mas deve evitar alimentos excessivamente calóricos que corresponde, em alguns casos ao total de calorias/dia do Plano Alimentar. Um Milkshake possui 1,5 mil calorias e um acarajé 1 mil. É preciso também – pontuou – fugir das armadilhas, como os bolos de aniversário. Sobrou bolo, a melhor solução é distribuir no dia seguinte. Ela contou o caso de uma paciente que comeu bolo durante uma semana e ganhou cinco quilos.

O controle do peso resulta de equação simples: quem gasta menos do que consome, ganha peso, enquanto quem gasta mais do que consome, perde. No caso dos pacientes com obesidade severa, segundo analisou a nutricionista do Cedeba, quando é difícil fazer atividade física em razão de problemas na coluna e articulações,é preciso paciência. Andar devagar e dançar para reduzir o sedentarismo é um bom começo. Lorena citou o exemplo de uma paciente com 180 quilos, 24 anos, e dificuldade para reduzir o peso. A nutricionista a orientou a brincar mais com o filho. O resultado foi uma redução de 20 quilos.

Dedicação

As mudanças de hábitos alimentares, no caminho da alimentação saudável, prática que deve envolver toda a família,como explicou Fracalossi, exigem dedicação. É bem mais fácil e prático, por exemplo, abrir um pacote de biscoito para o café da manhã, mas é bem mais saudável cozinhar raízes, banana da terra e preparar um cuscuz.

E preparar os alimentos também exige atitudes saudáveis, com a redução de gorduras de origem animal na alimentação. Lorenna mostrou que dos queijos (fonte de proteína) a ricota é a de menor preço e, também, a mais saudável. Para tornar o sabor mais convidativo pode ser mistura a ervas como alecrim, manjericão e um pouco de azeite de oliva, formando um delicioso patê.

Na palestra, à medida em que explicava a importância de cada grupo de alimentos que formam a pirâmide alimentar, a nutricionista fazia observações sobre os cuidados. A gordura precisa ser consumida com parcimônia porque o excesso de gordura representa um risco para o desenvolvimento do diabetes. E ela ensinou como fugir de gorduras associadas a doces, por exemplo. Em lugar de comer um brigadeiro (mistura de açúcar e gordura) após as refeições, preparar um doce de abacaxi com açúcar demerara. Se preferir, grelhar o abacaxi e acrescentar canela.

Frutas da Estação

Ao falar sobre a importância das frutas e hortaliças na alimentação, a nutricionista disse que pelo menos três porções de frutas/dia devem fazer parte do cardápio. E, de preferência, variar as frutas, o que se torna mais fácil se a opção forem as frutas da estação, sempre mais saborosas e de menor preço pela maior oferta.

As saladas, que devem ter espaço privilegiado no prato, devem ser coloridas. “Quanto mais cor, mais saudável a refeição” ensina Lorena Fracalossi. A tradicional tomate, cebola e alface cansa. Para tornar a salada mais saborosa, misturar frutas às hortaliças. Exemplos: acelga com manga; agrião, alface e tangerina, entre outras. Ela orientou os pacientes a buscarem a Internet, onde há muitos exemplos de saladas saudáveis e de excelente apresentação. Ela mostrou que os ingredientes usados nas saladas como tomate, ovo e raízes podem ser cortados em formatos diferente para mudar a aparência e ficarem mais atrativos.

Lorena Fracalossi mostrou que o paciente com obesidade, a partir dos conhecimentos que adquire sobre a importância da mastigação, como funciona a digestão, o papel de cada grupo de alimento, forma de correta de preparo, torna-se um multiplicador de praticas de alimentação saudável. Isso – destacou – passa por mudanças de hábitos na família que deve começar na hora das compras, passa pelo preparo e inclui o momento das refeições, onde não deve haver espaço para aborrecimentos, nem discussões.Mesmo com o ritmo da vida moderna, a nutricionista defende que a família, sempre que possível deve compartilhar o momento das refeições.

Ascom Cedeba
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