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“Doce Conviver” tem oficinas para reforçar conhecimentos dos pacientes com diabetes

30/03/2017 17:59

As oficinas do “Doce Conviver”- grupos de educação e convivência – do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) para pacientes diabéticos já estão sendo realizadas este ano. Cada grupo faz cinco sessões e mais duas de retroalimentação, mas há situações em que há necessidade de mais reforço, principalmente quando o diabético tem mais dificuldade para seguir o plano alimentar e, também, de compreender que é necessário fazer pequenas refeições (seis) durante o dia – para ter sucesso no controle do diabetes. Os profissionais mostram aos pacientes que, da mesma forma que a insulina precisa ser aplicada no horário definido pelo médico, o plano alimentar, que é individual e elaborado pela nutricionista, tem que ser observado tanto em relação à quantidade de carboidratos de cada refeição e também em relação aos horários.

No “Doce Conviver”, que utiliza a Metodologia Participativa e trabalha a autonomia do cuidado, o paciente se sente responsável pelo seu tratamento. Ele aprende como viver bem com o diabetes e evitar as complicações. Por isso, aqueles que têm dificuldade em fazer as mudanças recebem o reforço de informação, como aconteceu na manhã de hoje com um pequeno grupo, sob a orientação da assistente social Simone Matos e da nutricionista Cristiane Santana Pacheco das Neves. De forma bem didática, orientaram os pacientes sobre o plano alimentar, discutindo a substituição de alimentos, mas mantendo o mesmo número de carboidratos. E mais: o risco de hipo e hiperglicemia, quando o paciente não se alimenta adequadamente.

O que é mais grave?

Há três anos sendo acompanhado no Cedeba, Vanderlino Teixeira Pereira, 78 anos, por já apresentar complicações do diabetes (problemas cardíacos e renais), participou ativamente da sessão do Doce Conviver hoje pela manhã. Ele quis saber o que é mais grave: hipo ou hiperglicemia? A assistência social e a nutricionista responderam que o paciente precisa ser trabalhado para evitar as duas situações. Na hipo, o paciente precisa de atendimento imediato e os sintomas são conhecidos dos pacientes, enquanto a hiperglicemia pode fazer com o que paciente nada sinta por muito tempo, silenciosamente, mas fazendo estragos em órgãos importantes como os rins, cérebro, sistema vascular, visão, coração.

A paciente Marizete Santos de Jesus, 61 anos, admite que tem dificuldade para seguir a orientação alimentar. Hoje, participou com grande interesse da contagem de carboidratos (o jogo Contando Carboidratos com fichas coloridas que trazem a imagem do alimento e a quantidade de carboidratos é criação de profissionais do Cedeba), mas ainda tem dúvidas. Concentrada no grupo, quando o celular tocou, atendeu, mas disse não poder conversar porque estava numa reunião. Para facilitar a compreensão dos pacientes, Simone Matos explicou que hiper é grande, muito grande e fez uma analogia com hipermercado.

Segundo Cristiane Pacheco, os pacientes com idade mais avançada tem mais dificuldade de compreensão, quando a redução da acuidade visual ( as vezes precisam da ajuda de alguém da família para ler instruções) está associada à pouca escolaridade. Mas no Grupo os pacientes são estimulados a conhecer os números da glicemia – a de jejum de 80 a 120- e a pós prandial (duas horas após as principais refeições) de 140 a 160. Também precisam contar os carboidratos, sabendo por exemplo, que seis biscoitos equivalem a um pão francês ou uma fatia pequena de cuscuz.

As profissionais reforçaram a importância de o paciente fazer todas as refeições ao longo do dia: do café da manhã à ceia. Não fazer a ceia representa risco de hipoglicemia à noite, durante o sono.

Uma ação da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), do Cedeba, o “Doce Conviver” trabalha com grupos de 15 participantes .São cinco oficinas quinzenais, totalizando cinco encontros. Após seis meses, voltam a se reunir para avaliação. Os grupos do primeiro semestre começam em março e os do segundo, em agosto. Os participantes trocam experiências, expressam sua forma de pensar e agir, facilitando a aprendizagem. Discutem assuntos relacionados ao diabetes e seu controle, medicações orais e insulina, alimentação, atividade física, cuidados com o pé e a boca, complicações agudas e crônicas.

Ascom Cedeba