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Em atenção ao Dia Mundial da Saúde, HGRS promove círculo de conversa sobre depressão

07/04/2017 12:42

Com objetivo de debater os diversos aspectos da depressão – tema da campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Saúde de 2017 -, o Serviço de Psiquiatria do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) promoverá, no dia 12 de abril, o círculo de conversa sobre o transtorno que pode afetar 15% da população em algum momento da vida. Aberto ao público, o evento acontecerá no auditório do edifício anexo à instituição, às 9 horas.

Além da presença do psiquiatra Lucas Argolo – coordenador do hospital e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) -, o evento terá também a psiquiatra Ângela Scippa – professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), pesquisadora em Transtornos de Humor e chefe do Centro de Estudos de Transtorno do Humor e Ansiedade (Cetha – Ufba) – e a psicóloga Soraya Carvalho – idealizadora e coordenadora do Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps), serviço do Centro Antiveneno da Bahia (Ciave), e autora do livro A morte pode esperar? Clínica psicanalítica do suicídio. Haverá, ainda, mediação da jornalista Olga Goulart, apresentadora do programa Sinta-se Bem, da Rádio Sociedade.

“Todo 7 de abril, o mundo inteiro é chamado para reflexão sobre um tema dentre os de maior relevância em saúde pública pela celebração do Dia Mundial da Saúde. O tema deste ano é a depressão, que tem cada vez mais importância pelo impacto devastador que causa nas pessoas e nos reflexos sociais que traz para toda a comunidade”, avalia Lucas Argolo.

De acordo com o médico, apesar de estar entre as principais causas de incapacidade, de ser o principal transtorno associado aos índices alarmantes de suicídio e de apresentar eficácia de tratamento com conhecidas terapias biológicas e psicossociais, o tema ainda é envolto em preconceitos: “o acesso a informações, os investimentos em prevenção e tratamento são muito escassos na maioria das sociedades ao redor do mundo”.

Outro agravante cultural, afirma o profissional do HGRS, é o estigma que há quanto à necessidade da consulta com psiquiatra, ou do uso de um psicofármaco, ou da realização de um procedimento para o tratamento adequado. “É sobretudo contra essa barreira cultural, contra esse tabu, que se impõe essa campanha mundial cujo lema é ‘Vamos conversar’, a fim de estimular uma discussão mais ampla”, conta.

Depressão

Com projeção de aumentar a prevalência para 20% nos próximos anos, a depressão, conforme explica Lucas Argolo, é um transtorno crônico caracterizado por recaídas: “os períodos entre as crises podem ser acompanhadas de sintomas subsindrômicos [aqueles sintomas, que embora presentes, não preenchem critérios para o diagnóstico de um episódio depressivo], por vezes persistentes, que podem conferir um impacto ao funcionamento do indivíduo tão grande quanto uma síndrome clínica franca”.

As mulheres são mais acometidas pela depressão. Segundo o psiquiatra, trata-se de uma condição clínica complexa e heterogênea, com fatores psíquicos, somáticos e comportamentais, cujos principais sintomas são a tristeza e a falta de prazer e motivação. Casos graves, alerta Lucas, podem levar a desfechos fatais como o estupor ou suicídio. “Felizmente, hoje temos um grande repertório de abordagens psicoterápicas, de medicamentos disponíveis, bem como outras abordagens biológicas, a exemplo da fototerapia e eletroconvulsoterapia”, pontua.

Psiquiatria no Hospital Geral Roberto Santos

O Serviço de Psiquiatria do HGRS desenvolve um trabalho voltado para a clientela hospitalar do estado da Bahia, fornecendo atendimento e educação continuada em saúde mental. Oferece, ainda, atendimento multidisciplinar com interconsultas para pacientes internados em todos os setores e internação em psiquiatria e atendimento ambulatorial. É campo de prática para os internos de medicina da Uneb e os residentes de psiquiatria do Hospital Juliano Moreira (HJM).

“Nesta celebração do Dia Mundial da Saúde, é forçoso chamar atenção da população para a forte relação que a depressão tem com as necessidades e eventos que ocorrem em um hospital geral. Quando o indivíduo necessita de internação, ele pode desenvolver uma reação à hospitalização com manifestação de sintomas depressivos. A notícia de um diagnóstico inesperado ou temido, a realização de um procedimento podem ter um impacto emocional importante e determinar a manifestação de síndromes depressivas. As doenças crônicas diversas têm ampla relação com apresentações depressivas devido ao estresse, mas também devido ao comprometimento do sistema nervoso, endocrinológico ou imunológico: doenças inflamatórias, cardiovasculares ou oncológicas têm alta relação com depressão. Em pacientes com doença arterial coronariana e angina, a prevalência de depressão pode chegar a 70% e, entre as pessoas com lombalgias, artrite, diabetes e hipertensão, pode ser tão alto quanto 85%.”, analisa Lucas Argolo.

Para o psiquiatra, o estresse das emergências, da expectativa, dos sofrimentos que levam as pessoas ao leito hospitalar, o convívio com a morte que ocorre no hospital todos os dias, atingem pacientes, familiares e também as equipes de trabalhadores. “Indivíduos deprimidos têm piores desfechos clínico-cirúrgicos; aumentam o tempo de internação e, consequentemente, os custos com o tratamento; têm pior prognóstico pelo aumento da morbimortalidade; não aderem adequadamente ao tratamento e ao regime de cuidados”, enumera, concluindo: “a presença de um serviço de psiquiatria no hospital geral é, portanto, fundamental para a correta orientação do cuidado em saúde mental e permite uma atenção estratégica a indivíduos que necessitam de tratamento, estão fragilizados pela doença e sofrem adicionalmente pelo subdiagnóstico psiquiátrico”.

Informações a respeito do Círculo de Conversa sobre Depressão podem ser obtidas pelo e-mail hgrs.psiquiatria@saude.ba.gov.

Ascom HGRS
/hgrs/depressão

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