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Muitos pacientes desistem da cirurgia bariátrica quando conhecem mais sobre obesidade

25/05/2017 17:16

– Por favor, levantem a mão aqueles que chegaram aqui querendo fazer cirurgia bariátrica (redução do estômago). Quando a assistente social Glaucia Loyola fez a solicitação, quase 100% dos pacientes com obesidade responderam positivamente. Em seguida, ela repetiu o pedido para aqueles que permanecem com o mesmo propósito. O número foi bem menor. A pergunta fez parte do ciclo de palestras educativas sobre obesidade, do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba).

Com o auditório do Centro de Atenção à Saúde lotado, os pacientes com obesidade tiveram hoje palestras educativas com a equipe multidisciplinar do Núcleo de Obesidade do Cedeba: assistente social, nutricionista, endocrinologista, fisioterapeuta e psicólogo apresentaram questões da obesidade/cirurgia bariátrica. Os pacientes ao serem matriculados no Cedeba, são acompanhados pela equipe e os que fazem cirurgia bariátrica permanecem com esse acompanhamento durante cinco anos. O Cedeba é a única instituição pública que assegura esse período para acompanhamento pós – bariátrica.

Compulsão

No Cedeba, o tratamento ambulatorial do paciente com obesidade é feito durante dois anos. Isso é muito importante como mostrou a psicóloga do Núcleo de Obesidade do Cedeba,Viviane Oliveira: “a obesidade traz reflexos em todos os comportamentos (social, físico e psicológico). Se o paciente sofre de compulsão alimentar, por exemplo, é preciso tratar o problema antes da cirurgia bariátrica”. Ela explicou que muitos pacientes que fazem a bariátrica sem tratar a compulsão, desviam o foco do descontrole do alimento para a bebida, compras e sexo.

Ainda segundo Viviane Oliveira, os pacientes com obesidade chegam ao Cedeba acreditando em muitas inverdades, como, por exemplo, a libertação do plano alimentar. “Quem faz cirurgia terá que comer com moderação pelo resto da vida”. Outro mito é a possibilidade de comer tudo e não engordar. No plano psicológico, os pacientes acreditam que a cirurgia será a solução dos seus problema e a chave da felicidade. A psicóloga observou que “se isso fosse verdade, todos os magros seriam felizes”.

Participação da família

A presença da família é muito importante para o paciente que faz bariátrica – no Cedeba, a participação da família começa antes da cirurgia, freqüentando, inclusive, as palestras educativas. Na pós-cirurgia, quando há uma mudança nos hábitos alimentares com alimentação em pequenas porções, a família precisa ter muita compreensão diante do medo, irritação e cansaço do paciente.

Depois, como explicou Viviane Oliveira, vem a fase da lua-de-mel, quando o paciente já perdeu bastante peso, sente-se bem consigo mesmo e já está independente. A terceira fase é a da tomada de consciência, quando o paciente precisa entender que para manter -se bem precisará manter hábitos saudáveis de vida e que a obesidade tem controle, mas não tem cura.

O momento certo

Além de conhecer os caminhos e os riscos da bariátrica, o trabalho da equipe multidisciplinar do Cedeba, por meio da assistência social, orienta sobre a necessidade de o paciente escolher o momento certo para a cirurgia porque há necessidade de alguém para os cuidados pós-cirurgia. Os pacientes também são orientados sobre a necessidade de tomarem polivitamínicos pelo resto da vida. A assistente social Glaucia Loyola, além de focar a necessidade do apoio da família para a recuperação pós-bariátrica, também orientou sobre a questão dos direitos do paciente em relação ao afastamento do trabalho.

Ascom do Cedeba
Cedeba/palestraobesidad