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Soluções de baixo custo são apresentadas na Feira Zika

09/08/2017 20:14

Caixas de papelão, colher de pau, cola, furadeira, fita adesiva e tinta. Qual a relação desses materiais com a microcefalia? Nas mãos da fisioterapeuta Dafne Herrero, em cerca de duas horas, eles se transformam em adequadores posturais de baixo custo para estas crianças que normalmente têm dificuldades de se posicionar seja para se alimentar ou para receber estimulação motora apropriada. Esses e outros produtos e serviços estão sendo apresentados na 1ª Feira de Soluções para a Saúde, que segue até esta quinta-feira (10) no Senai/Cimatec, em Salvador.

A oficina, ministrada pela pesquisadora Dafne, hoje, reuniu fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentre outros profissionais de Salvador e de outros estados que aprenderam a construir as cadeirinhas e vão replicar os conhecimentos nos seus locais de trabalho.

Eliane Galvão, fisioterapeuta do Centro de Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred), unidade ligada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), destacou que a cadeirinha vai contribuir muito com o trabalho que a unidade já vem desenvolvendo no Estado desde quando começou a nascer as primeiras crianças com microcefalia. De acordo com Eliana, hoje o Cepred atende 90 crianças com Microcefalia e algumas já vão receber o produto na próxima semana.

Durante os três dias do evento, pesquisadores, educadores, profissionais da área, pais e familiares de pacientes estão reunidos em um único lugar para participarem de palestras e oficinas com o objetivo de discutir ações voltadas para o combate, prevenção, diagnóstico e tratamento da Zika, Dengue e Chikungunya.

A pesquisadora Dafne Herrero explica que o envolvimento dos pais nesses momentos é fundamental, pois eles têm a oportunidade de opinar, de dizer o que se adequa à realidade da família. “Existem muitas famílias que dizem que um tipo de suporte não é funcional, pois a casa é pequena. Ou ainda tem situações em que os pais dizem que as bordas, por exemplo, devem ser arredondadas, pois os irmãos, os primos pequenos brincam com as crianças e podem se machucar. Então isso é uma troca, uma construção conjunta”.

E os pais de João João Miguel, 1,8 meses, Rosileide Silva e Josenildo Nunes, por entenderem a necessidade de uma atuação ativa no desenvolvimento do filho, saíram de Recife, em Pernambuco, para participar da Feira. Ela contou que é uma oportunidade dos pais conhecerem o que está sendo criado e que “podemos usar para ajudar nossos filhos. E eu mesma convivi com todo tipo de diagnóstico, desde que ele não ia andar e hoje está andando para todos os lados, até que não vai conseguir falar. Então nós temos que acreditar que nosso filho vai conseguir.” E o pai acrescentou, é um trabalho diário, que não podemos deixar de fazer nenhum dia. Recebemos um quite feito com material reciclável e seguimos a orientação dos profissionais”.

Dafne Herrero ainda acrescentou que essas soluções são fundamentais para aumentar a interação dos pais com os bebês, pois quando eles vêm os filhos só deitados, “às vezes não percebem o desenvolvimento da criança, mas nas cadeirinhas já é possível perceber a evolução”.

Outros acessórios de baixo custo vieram do Instituto Fernandes Figueira (IFF), da FioCruz, no Rio de Janeiro. A equipe trouxe estimuladores feitos com garrafinha pet, a exemplo dos chocalhos; caixas de papelão com fitas bem coloridas, para chamar à atenção das crianças; uma bacia revestida para colocar as crianças na hora de brincar, dentre outros. A pediatra Maria Elizabeth Moreira explicou que, quando chegou a microcefalia, as crianças foram encaminhadas para o instituo e eles começaram a pesquisar soluções de baixo custo e também de fácil manuseio para orientar as famílias a estimularem seus filhos, “e esses acessórios dão resultados positivos”, conclui ela.
Ascom/Sesab

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