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Estado promove ação de combate à sífilis congênita em hospitais e maternidades

23/09/2017 18:25

Mãe aos 16 anos, Carla, nome fictício para não identificar a adolescente,  transmitiu sífilis para seu filho devido ao diagnóstico tardio e um tratamento inadequado. Ela teve apenas três consultas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da capital, quando o preconizado pelo Ministério da Saúde são, no mínimo, sete ao longo da gestação. Carla deu a luz nesta  semana na Maternidade Albert Sabin e ambos iniciaram o tratamento imediatamente. Infelizmente,  esta é uma história comum e justamente para mudar essa realidade,  hoje (23), Dia Estadual de Combate à Sífilis Congênita,  maternidades da capital  e do interior realizaram atividades educativas,  ações de prevenção e mobilização da comunidade e testagem para o diagnóstico da sífilis.

O secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, acompanhou as atividades na manhã deste sábado na maternidade Albert Sabin, em Salvador,  e no Hospital Geral Menandro de Faria, em Lauro de Freitas.

De acordo com o secretário, há uma falha grave na atenção básica no município de Salvador, que responde por mais de metade de todos os casos de sifilis da Bahia. “Mesmo que a gestante seja diagnosticada de modo precoce, ela tem sido reinfectada, pois o parceiro não realizou o tratamento, o que demonstra a falta de acompanhamento”, afirma o titular da pasta da Saúde. “Vi situações preocupantes. Uma adolescente de 14 anos chegou a fazer sete consultas pré-natais, foi tratada e o filho nasceu com sífilis”, ressalta o secretário.

Na sua avaliação,  os municípios devem desenvolver ações efetivas para a administração da penicilina nas unidades da atenção básica; implementar ações de vigilância epidemiológica da sífilis, com destaque para sífilis em gestantes e da sífilis congênita, no município, em todos os níveis de atenção; notificar todos os casos de sífilis (adquirida, gestante e congênita); implantar a busca ativa de sífilis congênita em menores de dois anos, em hospitais, maternidades, dentre outros.

Dentre as consequências da sífilis para o feto, destacam-se o abortamento, parto pré-termo, manifestações clínicas e/ou morte do recém-nascido. Entre 2012 e 2017, a Bahia registrou mais de 5,5 mil novos casos de sífilis congênita. “A nossa meta é reduzir em 20% o número de novos casos até o fim de 2018, e eliminar todos os casos até 2021”, afirma Vilas-Boas.

Até 2021, a previsão é aumentar a cobertura da testagem durante o pré-natal em 80%. Já referente ao tratamento, para este mesmo período, a estimativa é ampliar a cobertura das ações de profilaxia de transmissão vertical da sífilis em gestantes e em crianças expostas, com a oferta de 80% de tratamento adequado de recém-nascidos com sífilis congênita.

Programação

Na capital, das 7h às 13h, o Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba) e as maternidades José Maria de Magalhães Netto, João Batista Caribé, Albert Sabin e Tsylla Balbino, bem como o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), desenvolveram uma programação especial neste sábado. Foram distribuídos preservativos, panfletos informativos,, além da realização rodas de conversa e testes rápidos para o diagnóstico de sífilis. No interior, o hospital Geral Menandro de Faria, em Lauro de Freitas e os hospitais Regional de Guanambi e Geral de Ipiaú promoveram atividades similares.