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Paciente com diabetes necessita de cuidados especiais ao ser internado

04/10/2017 14:53

O estresse do internamento hospitalar pode elevar a glicemia até de não-diabéticos. Portanto, nos pacientes com diabetes há necessidade de cuidados especiais para evitar o efeito “montanha russa”, com grande variações de glicemia: hiperglicemia, hipoglicemia, hiperglicemia, hipoglicemia que é um grande risco. O diabético precisa de um olhar especial porque até uma atitude comum em pacientes internados, como não se alimentar na hora certa porque a refeição chegou, mas ele se distraiu com a presença de visitas pode causar variações indesejáveis na glicemia.

Porque se ele adia a refeição, mas a avaliação da glicemia segue o horário da rotina do hospital, ele apresentará hiperglicemia – devido ao pequeno intervalo para a medição – e por isso usará insulina e fará hipoglicemia. As análises são da endocrinologista e coordenadora de Ações Estratégicas do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Odelisa Matos, membro da Sociedade Brasileira de Diabetes”, na palestra ” O Controle da Hiperglicemia em Pacientes com Diabetes Internados em Fase Crítica e Não Crítica”.

Prevenir é preciso

A palestra da endocrinologista marcou a sessão de atualização em diabetes que o Cedeba, por meio da Coordenação de Educação em Diabetes (Codar) promove mensalmente para a equipe multidisciplinar (Saúde da Família Centros de Referência e instituições de ensino superior). Apenas no mês de novembro não há sessão, porque a Codar concentra ações mobilizando unidades da capital e interior para o Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro.

Na exposição, Odelisa Matos apresentou com detalhes os cuidados durante o internamento com pacientes diabéticos críticos e não – críticos, com base em protocolos e concluiu com uma mensagem de Hipócrates, Pai da Medicina, de 450 AC: “é melhor conhecer o doente do que a doença que o doente tem”. Também apresentou estatísticas que sinalizam a importância do diagnóstico do diabetes na sua fase inicial e a prevenção das complicações que são a principal causa de internamento: a amputação menor tem uma prevalência de 51%, amputação maior 36%, vindo em seguida a insuficiência renal, 31% e a insuficiência cardíaca 24%.

A avaliação da glicemia é muito importante porque entre 20 a 50% dos pacientes recebem o diagnóstico de diabetes durante o internamento. Muitas vezes são internados com um quadro grave, complicado, mas desconhecendo a presença do diabetes.

Segundo Odelisa Matos,

30 % dos pacientes são afetados por erro de medicação (omissão ou dosagem excessiva de insulina). Outro problema é o prolongado internamento: 30% e 15% permanecem internados por mais de 14 e 28 dias, respectivamente. Trinta e seis por cento dos pacientes internados apresentam hiperglicemia e destes, 66% são diabéticos. O diabetes mellitus é a sexta causa isolada de internamento, variando de 15 a 35% a prevalência de DM em pacientes internados.

É muito importante avaliar se paciente hospitalizado que apresenta glicemia fora do nível recomendado, tem hiperglicemia de estresse ou diabetes, explicou a endocrinologista: glicemia de jejum acima de 140 e 180 de forma aleatória, e hemoglobina glicada superior a 6,5 (dá a média da glicemia nos últimos três meses), têm-se o diagnóstico de DM prévio.

Na palestra, a especialista apresentou esquemas de insulinização para pacientes críticos e não-críticos, com base nos protocolos. Também mostrou a necessidade de cuidados especiais para manter a glicemia sob controle nas cirurgias eletivas. Citou o exemplo da cirurgia da catarata, um procedimento considerado simples, mas que exige o controle glicêmico para sua realização.

Ascom do Cedeba
Cedeba/glicemia

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