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Hospital Lopes Rodrigues encerra o ano com a saída de oito pacientes/moradores

27/12/2017 15:08

O Hospital Especializado Lopes Rodrigues, situado em Feira de Santana, encerra suas atividades deste ano contabilizando a saída de oito pessoas. Neste processo de desinstitucionalização, esses pacientes/moradores tiveram a oportunidade de retornar para suas famílias e para os Serviços de Residências Terapêuticas (SRT) implantados no Estado. Na Bahia, a Reforma Psiquiátrica começa a surgir de forma mais concreta, com a expansão da Rede de Atenção Psicossocial, que prevê o cuidado em liberdade para pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, além da implementação do processo de desinstitucionalização nos hospitais psiquiátricos.

O SRT funciona como moradias dentro da cidade, para a reinserção social de pessoas com transtornos mentais, com histórico de internação prolongada e que perderam todo o contato com a família e a sociedade. O processo consiste na retirada de uma pessoa da condição permanente de interno em uma instituição psiquiátrica. Segundo a diretora do Lopes Rodrigues, Iraci Leite, este avanço é fruto do esforço e dedicação dos profissionais das diferentes áreas: Equipe Desinstitucionalização, trabalhadores das diversas áreas do hospital, da diretoria de Gestão do Cuidado, Área Técnica de Saúde Mental e através do diálogo com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

“Esse é um procedimento ímpar, onde todos os servidores estão envolvidos. É um trabalho árduo. O primeiro passo deste processo é o querer sair por parte do morador que sempre é respeitado. Em seguida, ele é preparado para a reinserção à sociedade, considerando que muitos passaram a maior parte da vida enclausurados, privados de liberdade e perderam o referencial do que é o mundo fora da instituição”, explica a diretora.

E acrescenta que esse processo se dá em várias etapas, desde a escolha de moradores, investimento clínico dos mesmos, tendo em vista o resgate desses indivíduos, até a realização de assembléias e atendimentos individuais e atividades externas que visam maior reaproximação das pessoas com o cotidiano da cidade. Também são realizadas reuniões com as equipes de referência do CAPS, para discussão do cuidado dos novos moradores.

O trabalho com familiares se dá de forma responsável ao aproximá-los do usuário que se encontra na instituição, pontua a gerente da comissão de Desinstitucionalização Denise Rosa. Permanecem ainda 78 atualmente como moradoras do HELR, aguardando o retorno para sociedade. “Esperamos em 2018 dar continuidade ao processo de desinstitucionalização que ocorre em âmbito nacional, para que o Brasil e a Bahia se tornem de fato uma sociedade sem manicômios, promovendo o direito à liberdade, dignidade e cidadania de pessoas com transtornos mentais e necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas” revela Iraci Leite.

Fonte: HELR

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