Notícias /

Lacen-Ba implanta exame para detecção do vírus Mayaro

01/02/2018 16:22

O Laboratório Central de Saúde Pública Professor Gonçalo Moniz, o Lacen-Ba, acaba de implantar em sua rotina de exames o PCR para detecção do vírus Mayaro. O Lacen é a única unidade da rede SUS que realiza a análise na Bahia.

A febre do Mayaro é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes, a exemplo de mosquitos), que pode causar uma doença de curso benigno semelhante à dengue.

A coordenadora dos Laboratórios de Vigilância Epidemiológica do Lacen, Felicidade Pereira, ressalta que o exame é uma nova ferramenta de investigação disponível no Estado para mais uma arbovirose. Antes, a investigação de um caso suspeito de febre Mayaro começava pelos exames de dengue, zika, febre chikungunya e febre amarela, pois os sintomas dessas doenças são bem semelhantes.

Só depois dos resultados negativos, as amostras eram encaminhadas para os laboratórios referência. “Agora poderemos realizar o diagnóstico em tempo hábil. Antes, a amostra era encaminhada para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, e para a Fiocruz, no Rio de Janeiro. Agora, se recebermos um caso suspeito, já podemos fazer a análise em Salvador”, destaca Felicidade Pereira.

O resultado do exame feito no Lacen-BA sairá em, no máximo, cinco dias úteis, podendo ser antecipado a depender da urgência. Apesar da Bahia nunca ter registrado casos da febre do Mayaro, uma pesquisa realizada na região de Ilhéus identificou anticorpos em animais silvestres. “O vírus propriamente dito nunca foi encontrado na Bahia”, afirma Felicidade.

A doença – O vírus Mayaro é transmitido por meio da picada de mosquitos silvestres, principalmente Haemagogus janthinomys, que vivem em matas e vegetações à beira dos rios, onde há presença de macacos. Quando o mosquito pica um macaco doente, ele adquire o vírus e, depois de um ciclo em seu organismo, torna-se capaz de transmitir o vírus a outros macacos e ao homem, susceptíveis.

O Mayaro foi isolado pela primeira vez em Trinidad, em 1954, e o primeiro surto no Brasil foi descrito em 1955, às margens do rio Guamá, próximo de Belém/PA. Casos esporádicos e surtos localizados têm sido registrados nas Américas, incluindo a região Amazônica do Brasil, principalmente nos estados das regiões Norte e Centro-Oeste. Não há vacina para a doença.

Normalmente, após uma ou duas semanas, o paciente se recupera completamente da febre Mayaro. Entretanto, parte dos pacientes pode apresentar queixa de artralgia intensa (dor nas articulações), acompanhada ou não de edema (inchaço) nas articulações. A lesão pode ser limitante ou incapacitante e durar por meses, quando a recuperação é mais prolongada.

A febre do Mayaro não é contagiosa, portanto, não há transmissão de pessoa a pessoa ou de animais à pessoas. Ela é transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus. Assim como a febre amarela, a doença pelo vírus Mayaro é considerada uma zoonose silvestre e, portanto, de impossível eliminação.

O homem é considerado um hospedeiro acidental, quando invade o habitat natural de hospedeiros, reservatórios e vetores silvestres, infectados. Em estudos de laboratório foi demonstrada competência de vetores urbanos (incluindo o Aedes aegypti) em transmitir o vírus. Nos espaços urbanos, o homem poderia atuar como hospedeiro principal num ciclo homem-mosquito-homem, o que torna o vírus Mayaro uma potencial ameaça à saúde pública.

 Ascom Suvisa
/lacen/mayaro

Notícias relacionadas